A engenharia de telecomunicações no centro da política pública para 2026

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A engenharia de telecomunicações no centro da política pública para 2026
Infraestrutura digital, inclusão e soberania tecnológica como compromisso nacional

 

Quando se fala em engenharia, grande parte da sociedade ainda associa o termo quase exclusivamente à engenharia civil. Pontes, edifícios e rodovias são facilmente visualizados. Contudo, existe uma infraestrutura igualmente essencial, estratégica e estruturante, ainda que invisível aos olhos: a infraestrutura de telecomunicações. É ela que sustenta a conectividade, a economia digital, os serviços públicos digitais e a própria transformação tecnológica do país.
A meta anunciada pelo Ministério das Comunicações de conectar todas as escolas públicas brasileiras até 2026 revela a dimensão desse desafio. Conforme divulgado pelo Ministério das Comunicações em seu sítio eletrônico, durante o Seminário Políticas de Comunicações realizado na Universidade de Brasília, o secretário de Telecomunicações, Hermano Tercius, informou que 98 mil das 138 mil escolas públicas já estão conectadas, restando aproximadamente 40 mil unidades a serem integradas até o final de 2026.
Para o público leigo, conectar uma escola pode parecer apenas instalar internet. Na realidade, trata-se de um processo técnico complexo que envolve projeto de rede, dimensionamento de capacidade, estudo de link budget, ou balanço de potência, análise de tráfego, garantia de qualidade de serviço, controle de latência, segurança cibernética, redundância e sustentabilidade operacional. Em regiões remotas, a solução exige integração entre fibra óptica, enlaces de rádio digital de alta capacidade e sistemas satelitais. Cada escola conectada pressupõe planejamento de backbone, compatibilização com redes existentes e responsabilidade técnica claramente definida.
É nesse cenário que se evidencia o papel dos engenheiros eletricistas, engenheiros em eletrônica, engenheiros de telecomunicações e engenheiros de computação. O engenheiro atua no planejamento, no projeto e na sustentação da infraestrutura de telecomunicações, garantindo confiabilidade energética, desempenho de rede, integração entre sistemas, qualidade de transmissão, segurança da informação e estabilidade operacional. É esse trabalho técnico especializado que viabiliza, na prática, a conectividade e sustenta a transformação digital do país.
Também conforme divulgado pelo Ministério das Comunicações em seu sítio eletrônico, outra meta para 2026 é a apresentação do Plano Nacional de Inclusão Digital, que contemplará mapeamento e ações concretas para enfrentar a exclusão digital no país. A exclusão não se limita à ausência de sinal. Envolve desigualdade de acesso a dispositivos, déficit de letramento digital e limitações de capacitação técnica local. Superar esse cenário exige planejamento estruturado, integração entre políticas públicas e atuação regulatória consistente da Agência Nacional de Telecomunicações.
No mesmo contexto, o Ministério também destacou políticas nacionais voltadas à conectividade em rodovias, à expansão de cabos submarinos e ao fortalecimento de data centers no território nacional, conforme igualmente divulgado em seu sítio eletrônico. Esses eixos estruturam a base da soberania digital brasileira. Rodovias conectadas ampliam segurança e viabilizam sistemas inteligentes de transporte. Cabos submarinos fortalecem a inserção internacional do Brasil na economia digital. Data centers garantem processamento e armazenamento de dados com eficiência e segurança.
É fundamental que a sociedade compreenda que a infraestrutura digital é tão estruturante quanto a infraestrutura física. A engenharia civil constrói o que se vê. A engenharia de telecomunicações constrói o que conecta, transmite, processa e protege as informações que movimentam a economia, os serviços públicos e a própria dinâmica do país.
O horizonte de 2026 impõe responsabilidade técnica e institucional. Não basta cumprir metas quantitativas. É necessário assegurar qualidade, desempenho e sustentabilidade. A universalização da conectividade somente será efetiva se estiver fundamentada em projetos bem dimensionados, fiscalização adequada e valorização dos engenheiros que sustentam essa transformação.
Conectar escolas é preparar gerações. Estruturar redes é fortalecer soberania. Valorizar a engenharia de telecomunicações é reconhecer que o desenvolvimento contemporâneo depende não apenas do concreto que se ergue, mas também da energia, do espectro, dos circuitos, dos protocolos e dos sistemas que mantêm o Brasil conectado.
Autor
Engenheiro Eletricista Rogério Moreira Lima Silva
Diretor de Inovação e Diretor Estadual no Maranhão da ABTELECOM; Especialista da ABEE Nacional e 1º Secretário da ABEE-MA; Embaixador da ABRACOPEL e do Instituto EWRAN; Membro do SENGE-MA e do CEM; Titular da Cadeira nº 54 e Diretor de Relações Institucionais da Academia Maranhense de Ciências; Professor da Universidade Estadual do Maranhão.

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