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Mais uma vez, o CONFEA assume pioneirismo nas telecomunicações

Figura gerada com auxílio de Inteligência Artificial (IA).

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou recentemente a matéria intitulada “Sandbox Regulatório: Anatel firma acordo para ampliar cobertura móvel com uso de repetidores e reforçadores”, destacando a formalização do Acordo de Cooperação Técnica com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) e a Fundação Instituto Nacional de Telecomunicações (Finatel). Segundo a Agência, a iniciativa prevê capacitação técnica e apoio aos municípios para expansão do sinal móvel em áreas remotas e desassistidas.

A formalização desse Acordo de Cooperação Técnica representa um importante marco para o setor brasileiro de telecomunicações. A iniciativa tem como objetivo ampliar a cobertura do Serviço Móvel Pessoal (SMP), serviço de telefonia móvel celular, especialmente em áreas remotas e desassistidas, por meio do uso de repetidores e reforçadores de sinal no contexto do sandbox regulatório da Anatel.

A Anatel, autarquia federal responsável pela regulação e fiscalização do setor de telecomunicações no Brasil, tem como missão promover o desenvolvimento das telecomunicações em benefício da sociedade. O CONFEA, por sua vez, é a autarquia federal responsável pela regulamentação do exercício profissional das engenharias, da agronomia e das geociências, bem como pelo julgamento, em última instância administrativa, dos processos relacionados à legislação profissional no âmbito do Sistema CONFEA/CREA, cabendo aos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREAs) a fiscalização direta do exercício profissional. Já a Finatel é instituição voltada à pesquisa, inovação, capacitação e desenvolvimento tecnológico em telecomunicações, atuando como elo entre academia, engenharia aplicada e setor produtivo.

O acordo simboliza a convergência entre três eixos estruturantes das telecomunicações modernas: o exercício profissional da engenharia, sob a responsabilidade normativa do CONFEA e fiscalização direta dos CREAs; a regulação setorial, conduzida pela Anatel; e a pesquisa científica, a inovação e a capacitação técnica, impulsionadas pela Finatel e pela academia. Trata-se da união entre engenharia, regulação e ciência em favor da inovação e da expansão sustentável das telecomunicações brasileiras.

Mais do que um acordo institucional, essa cooperação reafirma uma realidade histórica e técnica: a infraestrutura de telecomunicações brasileira sempre esteve profundamente conectada à engenharia.

Mais uma vez, o CONFEA assume protagonismo em um momento decisivo para o futuro da conectividade nacional. Esse protagonismo, contudo, não é recente. Décadas antes da criação da própria Anatel e da promulgação da Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, conhecida como Lei Geral de Telecomunicações, o Sistema CONFEA/CREA já reconhecia formalmente as telecomunicações como campo próprio da engenharia.

Em 18 de agosto de 1952, por meio da Resolução CONFEA nº 78/1952, o CONFEA reconheceu oficialmente o exercício, por profissionais de grau superior, da especialidade de telecomunicações. A norma foi pioneira ao estabelecer competências relativas ao estudo, projeto, direção, fiscalização, montagem e instalação de estações e redes de telecomunicações com e sem fios.

O aspecto mais impressionante dessa resolução histórica encontra-se em sua visão técnica avançada. Seu artigo 3º conceituava serviço de telecomunicação como qualquer emissão, transmissão e recepção de sinais, imagens ou sons de qualquer natureza, utilizando princípios elétricos, sônicos, óticos ou quaisquer outros meios.

Tal definição apresenta notável convergência com o conceito atualmente previsto no artigo 60 da Lei Geral de Telecomunicações, segundo o qual telecomunicação consiste na transmissão, emissão ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza.

Essa continuidade histórica demonstra que o CONFEA não apenas acompanhou a evolução do setor, mas também ajudou a construir seus fundamentos técnicos, científicos e profissionais no Brasil.

O acordo firmado com a Anatel e a Finatel reforça exatamente essa tradição. Segundo a própria Anatel, um dos pilares centrais da iniciativa será a capacitação técnico-regulatória de profissionais do Sistema CONFEA/CREA, com foco em aspectos técnicos, éticos e normativos relacionados à instalação e operação de repetidores e reforçadores de sinal.

Esse ponto é especialmente relevante porque a ausência de conhecimento técnico e regulatório tem sido um dos principais entraves para que municípios consigam implementar soluções eficientes de conectividade. Nesse contexto, o acordo prevê o desenvolvimento de cursos, materiais técnicos e ações de disseminação de conhecimento em escala nacional.

Sob a ótica da engenharia de telecomunicações, a instalação de repetidores e reforçadores de sinal está longe de ser uma atividade trivial. Trata-se de atividade altamente especializada, que exige domínio de radiofrequência, propagação eletromagnética, compatibilidade eletromagnética, planejamento de cobertura celular, análise de link budget de uplink e downlink e otimização do uso do espectro.

Equipamentos mal especificados ou inadequadamente instalados podem provocar auto-oscilação, interferências, elevação do ruído de fundo, degradação dos canais de subida e descida e redução significativa da eficiência da rede. Em termos práticos, uma solução tecnicamente mal executada pode comprometer justamente a qualidade do serviço que se busca ampliar.

Nesse cenário, o papel do CONFEA torna-se ainda mais estratégico. Sua participação reafirma que a expansão da infraestrutura de telecomunicações deve necessariamente observar responsabilidade técnica, habilitação profissional e rigor de engenharia.

A participação da Finatel fortalece o acordo ao agregar o componente de capacitação e suporte científico-tecnológico. Forma-se, assim, uma estrutura institucional robusta, na qual a Anatel atua na regulação setorial, o CONFEA estabelece o arcabouço normativo do exercício profissional da engenharia, a Finatel contribui com formação especializada, pesquisa aplicada e inovação tecnológica, cabendo aos CREAs a fiscalização direta da atuação profissional nos estados.

A celebração do acordo também está diretamente alinhada ao sandbox regulatório da Anatel, mecanismo de experimentação controlada que permite testar soluções inovadoras sob supervisão regulatória. No caso dos repetidores e reforçadores de sinal, esse ambiente regulatório experimental permitirá que entidades municipais implementem projetos de forma regular e segura, ampliando a cobertura móvel em localidades com deficiência de sinal.

Essa iniciativa responde a uma demanda histórica de municípios que enfrentam dificuldades para atrair investimentos convencionais das operadoras, especialmente em regiões rurais, áreas de sombra, rodovias e comunidades isoladas.

Os resultados esperados incluem a formação de uma rede nacional de profissionais capacitados, o aumento da autonomia técnica dos municípios e a aceleração da implementação de soluções de conectividade em regiões de baixa atratividade econômica. O acordo, cuja vigência inicial está prevista até março de 2029, também poderá ser prorrogado conforme os resultados alcançados.

A ampliação da cobertura móvel deixou de ser apenas uma questão setorial para se tornar pauta estratégica de desenvolvimento nacional. Mais conectividade significa maior inclusão digital, expansão da telemedicina, fortalecimento da educação a distância, melhoria da segurança pública e ampliação da competitividade econômica.

Setenta e quatro anos após a histórica Resolução CONFEA nº 78/1952, o pioneirismo do CONFEA permanece plenamente atual. Mudaram as tecnologias, das redes analógicas às redes 5G, dos enlaces físicos às infraestruturas virtualizadas em nuvem, mas uma verdade permanece inalterada: a infraestrutura de telecomunicações continua sendo, em sua essência, um campo estratégico da engenharia.

Mais uma vez, o CONFEA demonstra que, quando o futuro da conectividade brasileira está em construção, a engenharia continua sendo protagonista.

Autor
Engenheiro Eletricista, Mestre e Doutor em Engenharia Elétrica/Telecomunicações Rogerio Moreira Lima Silva
Diretor de Inovação e Diretor Estadual no Maranhão da ABTELECOM, Especialista da ABEE Nacional e 1º Secretário da ABEE-MA, Embaixador da ABRACOPEL e do Instituto EWRAN, membro do SENGE-MA e do CEM, Diretor de Relações Institucionais da Academia Maranhense de Ciências e professor da Universidade Estadual do Maranhão.

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Mercado de Internet das Coisas é tema de tomada de subsídios da Anatel

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O espaço será aberto para que toda a sociedade opine sobre a elaboração de uma futura regulação. Contribuições podem ser inseridas por meio do Participa Anatel a partir de segunda-feira (8/6) até 30 de julho

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) lançará na próxima segunda-feira (8/6) uma tomada de subsídios sobre o mercado de Internet das Coisas (IoT) e comunicações máquina-a-máquina (M2M). Com o instrumento, a Agência abre espaço para que empresas, técnicos, integrantes da academia e de órgãos públicos e consumidores enviem dados e pontos de vista relacionados com os dois temas.

O objetivo da iniciativa é subsidiar a atuação da Anatel no monitoramento de mercados de atacado relacionados a produtos de conectividade de Internet das Coisas e na resolução de conflitos entre prestadoras de telecomunicações, com foco na preservação e promoção da competição no setor. As contribuições poderão ser inseridas até às 23h59 de 30 de julho no Participa Anatel.

A IoT e as comunicações M2M, que conectam de forma automatizada desde sensores agrícolas e medidores de energia até veículos, estão em forte expansão, somando cerca de 30 milhões de acessos no Brasil, o que representa cerca de 11% do total de acessos de telefonia móvel. Essa representativa e crescente parcela de mercado traz novos desafios concorrenciais para as empresas do setor, o que motivou a Superintendência de Competição a propor um debate aberto.

“À medida que a economia se digitaliza, os mercados de IoT e M2M ganham relevância estratégica para a inovação e a competitividade do país. A Tomada de Subsídios é uma oportunidade para ouvir os diversos agentes do ecossistema e compreender como competição, investimentos e novos modelos de negócio podem contribuir para acelerar o desenvolvimento dessas soluções no Brasil”, afirmou o superintendente de Competição da Anatel, José Borges.

Reflexão
O objetivo é avaliar eventuais falhas nesses mercados, indo além do número de empresas existentes. A tomada de subsídios vai ajudar a avaliar se as condições de acesso a recursos essenciais permitem que novos negócios criem aplicações e explorem nichos específicos. Essa preocupação é importante porque, hoje, a maior parte do valor financeiro do setor está nos serviços, plataformas e aplicativos, e não apenas na conectividade em si.

Esta tomada de subsídios propõe uma reflexão sobre esse cenário. O foco é entender como melhorar a concorrência, a inovação e a divisão de custos para desenvolver o mercado de M2M e Internet das Coisas (IoT) no Brasil. Para orientar o debate, a Anatel preparou perguntas sobre temas técnicos, comerciais e de atacado. A consulta abrange pontos como:

  • O modelo de atuação das empresas no mercado de M2M/IoT;
  • O impacto do grande volume de dispositivos conectados na rede;
  • Os principais investimentos necessários para garantir essa conectividade;
  • As regras ou contratos que dificultam a expansão de novos negócios no país.

A iniciativa reforça o papel da Anatel de mediar conflitos e garantir a concorrência justa no setor. Ao abrir esse espaço de diálogo, a agência permite que toda a sociedade colabore com o futuro das telecomunicações no país.

Entre no Participa Anatel

Fonte: ANATEL

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Anatel torna público o edital da edição de 2026 do Prêmio Mérito Rondon

Iniciativa estimula produção acadêmica e soluções inovadoras para desafios estratégicos das telecomunicações e da transformação digital no Brasil

AAgência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por meio do Centro de Altos Estudos em Comunicações Digitais e Inovações Tecnológicas (Ceadi), torna público o Edital da 3ª Edição do Prêmio Mérito Rondon 2026 – Artigos Acadêmicos e Inovações. A iniciativa visa fortalecer os vínculos da Agência com a comunidade acadêmica, disseminar a cultura da regulação em suas dimensões técnica, econômica e jurídica, além de estimular o desenvolvimento de estudos sobre temas estratégicos para o setor de telecomunicações.

O prêmio integra o programa do Ceadi dedicado à Alta Educação em Regulação de Telecomunicações, reforçando o compromisso de fomentar o debate qualificado sobre o ecossistema digital no Brasil. Para o presidente do Ceadi, conselheiro Alexandre Freire, a iniciativa consolida o papel da Agência como promotora do conhecimento e da inovação regulatória.

“O Prêmio Mérito Rondon reafirma o compromisso da Anatel e do Ceadi com a promoção do conhecimento, da inovação e da cultura regulatória. Nesta terceira edição, buscamos ampliar o diálogo com a academia e incentivar soluções capazes de contribuir para um ecossistema digital mais inclusivo, eficiente e alinhado aos desafios do futuro”, destacou.

Categorias e temáticas
Nesta edição, os participantes poderão submeter trabalhos em duas categorias principais. A primeira é Artigos Acadêmicos, com o objetivo de incentivar a produção científica com foco em qualidade técnica. Os temas propostos são: “Agenda 2030 e comunicações digitais: regulação e governança para participação social e sustentabilidade”; “Governança e regulação da Inteligência Artificial (IA): transparência e gestão de risco em redes e serviços”; e “Radiodifusão pública: expansão de redes e impactos para a democracia”.

A outra categoria é Inovação, que é voltada ao desenvolvimento de soluções para desafios regulatórios ou tecnológicos. O desafio central desta categoria é o “SCM Regular”, focado em inteligência regulatória para combater a prestação irregular de serviços e facilitar a regularização de provedores de internet.

Premiação
Os três melhores trabalhos de cada categoria serão premiados, totalizando seis prêmios em dinheiro, livres de impostos:

1º lugar: R$ 25.000,00 e certificado.
2º lugar: R$ 12.500,00 e certificado.
3º lugar: R$ 7.500,00 e certificado.

Para os vencedores não residentes no Distrito Federal e entorno, a Anatel custeará passagens aéreas e diárias para a participação na cerimônia de premiação, limitada a um representante por trabalho.

Quem pode participar? 
As inscrições são gratuitas e abertas a pessoas físicas brasileiras ou estrangeiras residentes no Brasil, com no mínimo 18 anos. São aceitos trabalhos individuais ou em grupo (coautoria), desde que indicado um representante para a inscrição.

Atenção: É vedada a participação de servidores e colaboradores da Anatel, bem como de membros das comissões organizadora e julgadora e seus parentes de primeiro grau. O uso de ferramentas de IA generativa na elaboração dos trabalhos é permitido apenas mediante declaração expressa e apresentação de termo de responsabilidade.

Inscrições e cronograma
O período para envio das inscrições e submissão dos trabalhos ocorrerá de 25 de junho de 2026 até às 23h59 do dia 10 de agosto de 2026 (horário de Brasília). As inscrições deverão ser realizadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico, que estará disponível na página do Ceadi na internet a partir da abertura do período de submissões.

Principais datas: 

Inscrições: 25/06/2026 a 10/08/2026.
Divulgação do resultado final: 15/10/2026.
Solenidade de premiação: Novembro de 2026.
Publicação dos trabalhos vencedores: Dezembro de 2026.

O edital completo da 3ª Edição do Prêmio Mérito Rondon 2026 pode ser consultado na página oficial da Anatel. Para mais esclarecimentos, os interessados poderão encaminhar dúvidas para o e-mail premiorondon2026@anatel.gov.br.

Fonte: ANATEL

17 de Maio: O Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação

Ilustração gerada com o auxílio de inteligência artificial.
Ilustração gerada com o auxílio de inteligência artificial.

Ilustração gerada com o auxílio de inteligência artificial.

A relação entre o Dia Nacional das Comunicações, celebrado em 5 de maio, e o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação, comemorado em 17 de maio, revela uma coincidência histórica singular. No mesmo ano e no mesmo mês de maio de 1865 ocorreram dois marcos fundamentais para a história das comunicações. Em 5 de maio de 1865, nasceu o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, patrono das comunicações no Brasil. Apenas doze dias depois, em 17 de maio de 1865, foi fundada, em Paris, a União Internacional de Telecomunicações (UIT), a mais antiga organização intergovernamental em atividade no mundo. Essa coincidência histórica simboliza, em escala nacional e internacional, o papel das telecomunicações como instrumento de integração territorial, desenvolvimento econômico e aproximação entre os povos.

A criação da UIT decorreu da necessidade de estabelecer regras técnicas comuns para permitir que redes telegráficas de diferentes países operassem de forma interoperável. Em meados do século XIX, o telégrafo já havia revolucionado as comunicações, mas a ausência de padrões internacionais dificultava a troca de mensagens entre nações, uma vez que cada administração adotava seus próprios procedimentos e especificações técnicas. O desafio era eminentemente de engenharia: garantir que sistemas distintos, concebidos por diferentes países e baseados em tecnologias diversas, pudessem trocar informações de maneira padronizada, confiável e contínua.

Foi justamente para enfrentar esse desafio que vinte países reunidos em Paris assinaram a primeira Convenção Internacional do Telégrafo. Nascia, assim, a então União Telegráfica Internacional, posteriormente denominada União Internacional de Telecomunicações, com a missão de harmonizar normas e procedimentos para assegurar a interoperabilidade das redes de comunicação.

Ao longo das décadas, a atuação da UIT acompanhou a evolução tecnológica das comunicações. O escopo inicialmente restrito ao telégrafo expandiu-se para abranger telefonia, radiocomunicações, televisão, satélites, cabos submarinos, fibras ópticas, redes digitais, internet, sistemas móveis 2G, 3G, 4G e 5G e as bases técnicas das futuras redes 6G.

A incorporação da internet ao campo de atuação da UIT demonstra que sua missão essencial permanece inalterada desde 1865: promover a padronização técnica necessária para garantir que símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza possam ser transmitidos, emitidos ou recebidos, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de forma compatível, segura e eficiente entre diferentes dispositivos, redes e países.

Essa formulação corresponde, em essência, ao próprio conceito jurídico e técnico de telecomunicações. Independentemente da tecnologia empregada, o objetivo continua sendo o mesmo: permitir que a informação percorra grandes distâncias sem perda de significado, integrando pessoas, organizações e nações.

No Brasil, a institucionalização moderna do setor ganhou novo impulso com a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), instituída pela Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, a Lei Geral de Telecomunicações. Essa legislação definiu serviço de telecomunicações como o conjunto de atividades que possibilita a oferta de telecomunicação, consolidando um modelo regulatório contemporâneo e tecnicamente estruturado.

Entretanto, o protagonismo da engenharia brasileira na compreensão e na regulamentação das telecomunicações antecede em várias décadas a criação da ANATEL. Em 18 de agosto de 1952, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), por meio da Resolução nº 78, já definia serviço de telecomunicação como qualquer emissão, transmissão e recepção de sinais, imagens ou sons de qualquer natureza, utilizando princípios elétricos, sônicos, ópticos ou quaisquer outros, por qualquer meio.

A abrangência dessa definição é notável. Elaborada em uma época em que não existiam satélites de comunicação, fibras ópticas, internet, telefonia celular ou redes digitais, a conceituação adotada pelo CONFEA mostrou-se suficientemente ampla para abarcar todas as inovações tecnológicas que surgiriam nas décadas seguintes. Trata-se de uma formulação fundamentada em princípios físicos e de engenharia, e não em tecnologias específicas e transitórias.

A Lei Geral de Telecomunicações, editada quarenta e cinco anos depois, consagrou em âmbito legal uma concepção plenamente compatível com aquela já estabelecida pelo CONFEA. Essa convergência evidencia não apenas o pioneirismo do Sistema CONFEA/CREA, mas também a solidez técnica da engenharia brasileira na compreensão de um dos setores mais dinâmicos e estratégicos da economia contemporânea.

Atualmente, a UIT coordena o uso do espectro de radiofrequências, a ocupação de posições orbitais por satélites, a elaboração de normas técnicas internacionais e iniciativas voltadas à inclusão digital. Em termos práticos, essa organização estabelece as bases que permitem que bilhões de dispositivos, fabricados por empresas diferentes e instalados em países distintos, operem de forma harmoniosa. Sem esse esforço de padronização, tecnologias como telefonia celular, internet, redes ópticas, televisão por satélite, computação em nuvem e futuras redes 6G não poderiam funcionar em escala global.

Por trás dessa infraestrutura invisível está a engenharia.

Cada ligação telefônica, cada mensagem instantânea, cada videoconferência e cada transação digital dependem da aplicação rigorosa de conhecimentos de eletromagnetismo, teoria da informação, processamento digital de sinais, eletrônica, microeletrônica, sistemas embarcados, fibras ópticas e redes de computadores. O que hoje parece simples ao usuário é, na realidade, o resultado de décadas de pesquisa científica e do trabalho de engenheiros que transformaram conceitos abstratos em sistemas robustos e interoperáveis.

As telecomunicações constituem uma das mais sofisticadas realizações da engenharia moderna. Quando um satélite transmite imagens meteorológicas, quando um cabo submarino transporta terabits por segundo entre continentes, quando uma estação rádio base atende milhões de usuários ou quando uma rede óptica conecta cidades inteiras, o que se observa é a materialização do conhecimento técnico em benefício da sociedade.

No Brasil, essa trajetória possui raízes profundas. As linhas telegráficas implantadas pela Comissão Rondon foram decisivas para integrar regiões remotas do território nacional. Mais de um século depois, a mesma vocação integradora se manifesta nas redes de fibra óptica, nos enlaces de micro-ondas, nos sistemas satelitais e nas redes móveis de quarta e quinta gerações. A tecnologia evoluiu, mas a missão permanece a mesma: conectar pessoas, instituições e territórios.

Hoje, as telecomunicações são reconhecidas como infraestrutura crítica. Sustentam o funcionamento do sistema financeiro, da saúde, da educação, da segurança pública, da indústria, da logística e da administração pública. Sem redes confiáveis, não há comércio eletrônico, ensino a distância, telemedicina, automação industrial ou serviços digitais. Em outras palavras, a sociedade da informação depende diretamente da infraestrutura concebida e mantida pela engenharia.

O Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação também convida à reflexão sobre desafios contemporâneos, como inclusão digital, segurança cibernética e redução das desigualdades no acesso à conectividade. Todos esses temas possuem um elemento comum: a necessidade de infraestrutura tecnológica projetada, implantada e operada por profissionais legalmente habilitados e tecnicamente qualificados.

Nesse contexto, destacam-se os engenheiros de telecomunicações, engenheiros eletricistas, engenheiros de computação e demais profissionais das áreas tecnológicas correlatas. São esses profissionais que convertem conhecimento científico em soluções concretas, capazes de ampliar a conectividade, elevar a produtividade e promover o desenvolvimento social e econômico.

A celebração de 17 de maio transcende, portanto, seu caráter simbólico. Trata-se do reconhecimento de que a conectividade global, um dos pilares da civilização contemporânea, é resultado direto da aplicação da ciência e do rigor técnico da engenharia.

Se no dia 5 de maio celebramos o nascimento do Marechal Rondon, cuja atuação ajudou a conectar o Brasil, em 17 de maio homenageamos a fundação da União Internacional de Telecomunicações, instituição responsável por estabelecer as bases técnicas que conectam o mundo. Ambos os marcos ocorreram no mesmo ano e no mesmo mês de maio de 1865.

Essa coincidência histórica reforça uma verdade incontestável: comunicar é uma conquista da ciência, mas conectar, em escala nacional e global, é uma realização da engenharia. Onde há inovação, conectividade e transformação digital, há, necessariamente, a presença da engenharia.

Autor
Eng. Eletric. Rogerio Moreira Lima
Diretor de Inovação e Diretor Estadual MA da ABTELECOM
Especialista da ABEE Nacional
Embaixador da ABRACOPEL
Titular da Cadeira nº 54 e Diretor de Relações Institucionais da Academia Maranhense de Ciências
1º Secretário da ABEE-MA
Membro do SENGE-MA e do CEM
Professor da UEMA

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Leilão da faixa de 700 MHz impulsiona conectividade no Brasil com R$ 2 bilhões em investimentos

O recente leilão da faixa de 700 MHz, conduzido pela Anatel em parceria com o Ministério das Comunicações, marca um avanço significativo na expansão da infraestrutura digital no país. A iniciativa deve gerar cerca de R$ 2 bilhões em investimentos voltados à ampliação da conectividade em áreas remotas e rodovias federais.

Expansão da cobertura e inclusão digital

O principal objetivo do certame é reduzir o déficit de cobertura em regiões ainda desassistidas. Ao todo, 864 localidades remotas passarão a contar com sinal de telefonia móvel 4G ou superior, beneficiando aproximadamente 680 mil pessoas.

Além disso, cerca de 6,5 mil quilômetros de rodovias federais, incluindo a BR-101, terão cobertura de conectividade, ampliando a segurança viária e a eficiência logística em importantes corredores do país.

Competitividade e fortalecimento do setor

O leilão contou com a participação de quatro operadoras: Amazônia Serviços Digitais, Brisanet, Unifique e IEZ!, que arremataram lotes regionais estratégicos. O modelo adotado priorizou investimentos em infraestrutura, reforçando o caráter não arrecadatório da iniciativa e estimulando a competição no setor.

A ampliação do acesso ao espectro, especialmente na faixa de 700 MHz — reconhecida por seu alto alcance e eficiência — permite que operadoras regionais expandam suas redes com maior qualidade e capilaridade.

Impacto estratégico para o futuro da conectividade

A expansão da cobertura móvel em áreas rurais e rodovias representa um passo essencial para o desenvolvimento socioeconômico do país. A conectividade não apenas viabiliza inclusão digital, mas também impulsiona setores como logística, agronegócio, segurança pública e serviços essenciais.

O projeto também reforça o compromisso do governo em dobrar a cobertura móvel em áreas rurais, promovendo acesso equitativo à tecnologia e reduzindo desigualdades regionais.

Um marco para a infraestrutura digital brasileira

A utilização da faixa de 700 MHz é considerada estratégica por sua capacidade de alcançar longas distâncias e oferecer melhor desempenho em ambientes internos — fator decisivo para regiões com baixa densidade populacional.

Para o ecossistema de telecomunicações, essa iniciativa representa mais do que expansão de rede: trata-se da construção de uma base sólida para o futuro digital do Brasil, com maior competitividade, inovação e acesso universal à conectividade.

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Anatel e ITA avançam em projeto de Inteligência Artificial para transformar telecomunicações no Brasil

Workshop apresenta resultados parciais de estudos aplicados à regulação e destaca impactos diretos na qualidade dos serviços, na segurança digital e na experiência do usuário

Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por meio do Centro de Altos Estudos em Comunicações Digitais e Inovações Tecnológicas (Ceadi), realizou, nos dias 30 e 31 de março, o 2º Workshop do projeto de aplicação de Inteligência Artificial (IA) no setor de telecomunicações, em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A iniciativa integra o Termo de Execução Descentralizada (TED) nº 3/2023.

O evento ocorreu na Anatel, em São Paulo (SP), e reuniu especialistas, pesquisadores e servidores da Agência, que tiveram acesso aos resultados parciais dos estudos. O primeiro dia foi aberto ao público, com foco na transparência e na disseminação do conhecimento. Já o segundo foi dedicado ao alinhamento técnico entre as equipes, com definição de metodologias e desenvolvimento de provas de conceito.

Na abertura, o conselheiro da Anatel e presidente do Ceadi, Alexandre Freire, destacou que o projeto representa um avanço na construção de uma regulação mais moderna, baseada em evidências e orientada por dados. Segundo ele, o uso de Inteligência Artificial amplia a capacidade de análise da Agência diante da crescente complexidade das redes e dos serviços digitais.

“A modernização institucional brasileira para enfrentar os desafios do mundo digital é urgente. Não buscamos apenas tecnologia por tecnologia, mas sim ferramentas que permitam à Anatel cumprir sua missão legal de reavaliar periodicamente a regulamentação, promovendo a competição e a adequação à evolução do mercado”, afirmou.

O chefe da Assessoria Técnica da Anatel e secretário do Ceadi, João Marcelo Azevedo Marques Mello da Silva, ressaltou que a parceria com o ITA fortalece a integração entre ciência, tecnologia e regulação, contribuindo para soluções inovadoras com aplicação prática no setor.

Também participaram da abertura a superintendente de Fiscalização, Gesiléa Fonseca Teles; a assessora da Superintendência de Controle de Obrigações (SCO), Cristianne Barros Polo; e o professor do ITA e coordenador do projeto, Renato Machado.

O projeto está estruturado em seis eixos estratégicos, que orientam o desenvolvimento das pesquisas e suas aplicações diretas na atuação regulatória e na vida do cidadão.

No eixo de estimação do Índice de Qualidade dos Serviços (IQS) e classificação de municípios, são utilizadas técnicas de análise de dados e redes neurais para identificar padrões de desempenho dos serviços de telecomunicações. Na prática, isso permite à Anatel compreender melhor as diferenças regionais e direcionar ações mais precisas para melhorar a qualidade onde ela é mais necessária, beneficiando diretamente os usuários com serviços mais estáveis e eficientes.

O eixo de qualidade de serviço (QoS) versus capacidade da infraestrutura analisa a relação entre o volume de tráfego de dados e a estrutura disponível das redes. O objetivo é garantir que a expansão do uso da internet e das telecomunicações seja acompanhada por investimentos adequados, evitando sobrecargas e assegurando uma experiência de navegação mais rápida e confiável para a população.

Na frente de cibersegurança, o projeto aplica Inteligência Artificial e machine learning (aprendizado de máquina) para detectar ameaças em tempo real e antecipar riscos. Isso fortalece a proteção das redes e dos dados dos usuários, contribuindo para um ambiente digital mais seguro, inclusive para pequenos provedores, que passam a contar com ferramentas mais acessíveis de proteção.

O eixo de monitoramento de espectro busca implementar sistemas automatizados para acompanhar o uso das radiofrequências. Com isso, a Agência pode atuar de forma mais preventiva, evitando interferências que prejudicam serviços como telefonia móvel, rádio e internet sem fio, o que se traduz em maior qualidade e continuidade dos serviços para a população.

No monitoramento de marketplaces, a IA é utilizada para identificar anúncios de produtos irregulares ou não homologados, além de práticas enganosas. Esse trabalho reforça a proteção do consumidor, reduzindo riscos na compra de equipamentos de telecomunicações e promovendo um mercado mais justo e seguro.

Por fim, o eixo de análise de redes sociais utiliza dados públicos de plataformas digitais para identificar, em tempo real, falhas e interrupções nos serviços a partir dos relatos dos usuários. Essa abordagem amplia a capacidade de resposta da Anatel, permitindo ações mais rápidas diante de problemas que impactam diretamente o dia a dia da população.

A aplicação da Inteligência Artificial no setor de telecomunicações representa um avanço relevante para a transformação digital do país. Entre os principais impactos estão a melhoria da qualidade dos serviços, o aumento da eficiência regulatória, o fortalecimento da segurança digital e a ampliação da proteção ao consumidor.

Com a parceria, a Anatel reforça seu compromisso com a inovação e com o uso de tecnologias avançadas para aprimorar a regulação, garantindo que o Brasil acompanhe a evolução do setor e ofereça serviços cada vez mais confiáveis, acessíveis e seguros à sociedade.

Fonte: ANATEL

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Regulamentação de IA deve ser baseada em princípios, fomentar inovação e garantir transparência

ANATEL
Ao participar do painel “Hello Mobile AI”, a conselheira substituta Cristiana Camarate destacou o uso ético de aplicações baseadas em IA em toda a cadeia de valor das telecomunicações

Durante o GTI Summit, no Mobile World Congress (MWC 2026), a conselheira substituta da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) Cristiana Camarate defendeu uma postura regulatória baseada em princípios, que fomente a inovação sem negligenciar os riscos de segurança e a neutralidade de rede. A visão do regulador brasileiro foi apresentada por Camarate na manhã desta terça-feira (3), durante o painel “Hello Mobile AI”.

Em seu discurso, a conselheira apresentou a visão do regulador brasileiro sobre a integração entre a Inteligência Artificial (IA) e as infraestruturas de conectividade. A Anatel examina as possibilidades em que o arcabouço regulatório afeta o uso de IA e os riscos de cibersegurança decorrentes dessas tecnologias emergentes. Segundo Camarate, o uso ético de aplicações baseadas em IA em toda a cadeia de valor das telecomunicações permite a gestão inteligente da infraestrutura.

Por meio de algoritmos avançados capazes de realizar manutenção preditiva, alocação dinâmica de recursos, balanceamento de carga e gestão de espectro, as operadoras podem otimizar o desempenho da rede, ao mesmo tempo em que aumentam a confiabilidade e a disponibilidade do serviço. “Nesse contexto, a IA não é meramente uma ferramenta de apoio, mas um verdadeiro pilar de inovação e de alcance dos objetivos de desenvolvimento sustentável no setor de telecomunicações”, afirmou.

Postura

Sobre a atuação da Agência, a conselheira ressaltou que a Anatel optou por uma abordagem “baseada em princípios e menos prescritiva”. O objetivo é evitar a rápida obsolescência das regras e não criar barreiras desnecessárias à inovação. A conselheira informou que, até o momento, não foram identificadas normas que impeçam o desenvolvimento da IA no Brasil, mas destacou que a fiscalização será ativa e diligente.

“Deixamos claro às entidades reguladas que, em nossas atividades de fiscalização, poderemos avaliar equipamentos, aplicações, sistemas e ferramentas baseados em IA, bem como os dados utilizados para seu treinamento e outros elementos que sustentam seu desenvolvimento e implantação”, explicou.

Ela acrescentou que as propostas regulatórias, que passaram por consulta pública, devem ser deliberadas em breve pelo Conselho Diretor da Anatel. Camarate encerrou reforçando que soluções equilibradas só serão alcançadas por meio do diálogo entre as múltiplas partes interessadas e de uma regulação baseada em evidências.

Integração

Com a evolução para o 5G e a futura padronização do 6G — cujas primeiras redes comerciais são esperadas para 2030 —, a automação baseada em IA torna-se, segundo Cristiana Camarate, essencial para garantir a escalabilidade e a resiliência das redes. No entanto, a integração nativa da IA traz novos desafios, especialmente no que diz respeito à coleta de dados sensíveis e aos processos de tomada de decisão autônomos.

Para mitigar riscos relacionados à falta de transparência, a conselheira destacou a importância da IA Explicável (XAI), contrapondo-a ao modelo de “caixas-pretas” (black boxes), que pode dificultar a fiscalização e minar a confiança do usuário. “A transparência e a explicabilidade algorítmica são essenciais para que os profissionais de rede possam validar e ajustar recomendações automatizadas, garantindo que os objetivos de otimização sejam alcançados de maneira responsável e auditável”, destacou.

Neutralidade

Outro ponto do discurso da conselheira da Anatel no painel do GTI Summit foi o impacto da IA na gestão do fatiamento de rede (network slicing). Ao citar o estudo “IA e Automação: uma visão geral”, da Global System for Mobile Communications Association (GSMA), Camarate destacou preocupações de que algoritmos mal calibrados ou enviesados possam introduzir vieses na priorização de tráfego, o que feriria o Marco Civil da Internet.

“A legislação brasileira proíbe expressamente que os prestadores de serviços discriminem o tráfego com base no conteúdo, aplicação, origem ou destino. O Marco Civil da Internet consagra o princípio da neutralidade de rede”, afirmou.

No campo da segurança, embora a IA auxilie na detecção de ameaças em tempo real, ela também amplia a superfície de ataque, como no caso do envenenamento de dados (data poisoning) e do uso de IA generativa para ataques de engenharia social mais sofisticados.

Fonte: ANATEL

A engenharia de telecomunicações no centro da política pública para 2026

Imagem gerada por IA

A engenharia de telecomunicações no centro da política pública para 2026
Infraestrutura digital, inclusão e soberania tecnológica como compromisso nacional

 

Quando se fala em engenharia, grande parte da sociedade ainda associa o termo quase exclusivamente à engenharia civil. Pontes, edifícios e rodovias são facilmente visualizados. Contudo, existe uma infraestrutura igualmente essencial, estratégica e estruturante, ainda que invisível aos olhos: a infraestrutura de telecomunicações. É ela que sustenta a conectividade, a economia digital, os serviços públicos digitais e a própria transformação tecnológica do país.
A meta anunciada pelo Ministério das Comunicações de conectar todas as escolas públicas brasileiras até 2026 revela a dimensão desse desafio. Conforme divulgado pelo Ministério das Comunicações em seu sítio eletrônico, durante o Seminário Políticas de Comunicações realizado na Universidade de Brasília, o secretário de Telecomunicações, Hermano Tercius, informou que 98 mil das 138 mil escolas públicas já estão conectadas, restando aproximadamente 40 mil unidades a serem integradas até o final de 2026.
Para o público leigo, conectar uma escola pode parecer apenas instalar internet. Na realidade, trata-se de um processo técnico complexo que envolve projeto de rede, dimensionamento de capacidade, estudo de link budget, ou balanço de potência, análise de tráfego, garantia de qualidade de serviço, controle de latência, segurança cibernética, redundância e sustentabilidade operacional. Em regiões remotas, a solução exige integração entre fibra óptica, enlaces de rádio digital de alta capacidade e sistemas satelitais. Cada escola conectada pressupõe planejamento de backbone, compatibilização com redes existentes e responsabilidade técnica claramente definida.
É nesse cenário que se evidencia o papel dos engenheiros eletricistas, engenheiros em eletrônica, engenheiros de telecomunicações e engenheiros de computação. O engenheiro atua no planejamento, no projeto e na sustentação da infraestrutura de telecomunicações, garantindo confiabilidade energética, desempenho de rede, integração entre sistemas, qualidade de transmissão, segurança da informação e estabilidade operacional. É esse trabalho técnico especializado que viabiliza, na prática, a conectividade e sustenta a transformação digital do país.
Também conforme divulgado pelo Ministério das Comunicações em seu sítio eletrônico, outra meta para 2026 é a apresentação do Plano Nacional de Inclusão Digital, que contemplará mapeamento e ações concretas para enfrentar a exclusão digital no país. A exclusão não se limita à ausência de sinal. Envolve desigualdade de acesso a dispositivos, déficit de letramento digital e limitações de capacitação técnica local. Superar esse cenário exige planejamento estruturado, integração entre políticas públicas e atuação regulatória consistente da Agência Nacional de Telecomunicações.
No mesmo contexto, o Ministério também destacou políticas nacionais voltadas à conectividade em rodovias, à expansão de cabos submarinos e ao fortalecimento de data centers no território nacional, conforme igualmente divulgado em seu sítio eletrônico. Esses eixos estruturam a base da soberania digital brasileira. Rodovias conectadas ampliam segurança e viabilizam sistemas inteligentes de transporte. Cabos submarinos fortalecem a inserção internacional do Brasil na economia digital. Data centers garantem processamento e armazenamento de dados com eficiência e segurança.
É fundamental que a sociedade compreenda que a infraestrutura digital é tão estruturante quanto a infraestrutura física. A engenharia civil constrói o que se vê. A engenharia de telecomunicações constrói o que conecta, transmite, processa e protege as informações que movimentam a economia, os serviços públicos e a própria dinâmica do país.
O horizonte de 2026 impõe responsabilidade técnica e institucional. Não basta cumprir metas quantitativas. É necessário assegurar qualidade, desempenho e sustentabilidade. A universalização da conectividade somente será efetiva se estiver fundamentada em projetos bem dimensionados, fiscalização adequada e valorização dos engenheiros que sustentam essa transformação.
Conectar escolas é preparar gerações. Estruturar redes é fortalecer soberania. Valorizar a engenharia de telecomunicações é reconhecer que o desenvolvimento contemporâneo depende não apenas do concreto que se ergue, mas também da energia, do espectro, dos circuitos, dos protocolos e dos sistemas que mantêm o Brasil conectado.
Autor
Engenheiro Eletricista Rogério Moreira Lima Silva
Diretor de Inovação e Diretor Estadual no Maranhão da ABTELECOM; Especialista da ABEE Nacional e 1º Secretário da ABEE-MA; Embaixador da ABRACOPEL e do Instituto EWRAN; Membro do SENGE-MA e do CEM; Titular da Cadeira nº 54 e Diretor de Relações Institucionais da Academia Maranhense de Ciências; Professor da Universidade Estadual do Maranhão.

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Fake news tecnológica: não existe 5G sem antena

Fake news tecnológica: não existe 5G sem antena

Fake news tecnológica: não existe 5G sem antena

Conectividade direta via satélite não elimina antenas, apenas dispensa a ERB
Nos últimos dias, manchetes chamativas passaram a afirmar que seria possível oferecer 5G diretamente do espaço “sem antena”. A frase impressiona, mas do ponto de vista da ciência e da engenharia de telecomunicações, ela está errada e induz a uma compreensão equivocada sobre como a comunicação sem fio realmente funciona.
Para começar pelo ponto central, não existe comunicação sem fio sem antena. A antena é o componente físico que permite que a energia elétrica, que circula dentro dos equipamentos, seja transformada em ondas eletromagnéticas capazes de viajar pelo espaço. Sem esse processo, nenhum sinal sai do aparelho, seja em rádio, TV, Wi-Fi, 4G, 5G ou comunicações via satélite.
A base científica disso vem do eletromagnetismo. No século XIX, James Clerk Maxwell demonstrou que eletricidade e magnetismo não são fenômenos independentes. Ao introduzir o conceito de corrente de deslocamento, ele mostrou que um campo elétrico que varia no tempo também gera campo magnético, mesmo quando não há corrente elétrica fluindo de forma convencional. Esse ajuste foi essencial para manter a coerência física das leis do eletromagnetismo e explicar a existência das ondas eletromagnéticas.
Em termos simples, campos elétricos variáveis produzem campos magnéticos, e campos magnéticos variáveis produzem campos elétricos. Essa interação contínua e auto sustentada é o que permite que a energia eletromagnética se propague pelo espaço transportando informação.
Na prática, quando um condutor metálico é excitado por uma fonte de alta frequência, como ocorre em sistemas de telecomunicações, estabelece-se ao longo dele um campo elétrico que varia rapidamente no tempo. Essa variação gera um campo magnético associado. Quando as dimensões desse sistema são compatíveis com o comprimento de onda do sinal, parte da energia deixa de permanecer confinada ao condutor e passa a se espalhar pelo espaço livre. Esse espalhamento é o fenômeno da radiação eletromagnética.
É exatamente esse o papel da antena.
A antena é um sistema irradiante, projetado para converter energia elétrica guiada em energia eletromagnética propagante. Ela não é um acessório nem um detalhe secundário do sistema. É o elemento que torna a comunicação sem fio fisicamente possível.
Além disso, a teoria mostra que as ondas eletromagnéticas não se propagam de forma aleatória. As equações de Helmholtz, derivadas das equações de Maxwell, descrevem ondas com direção bem definida e com polarização específica. A onda possui orientação, sentido de propagação e estrutura bem estabelecida no espaço.
E é a antena que define essa polarização.
A posição física da antena determina se a polarização da onda será vertical, horizontal ou circular. Sua geometria e sua configuração influenciam diretamente o alcance do sinal, a direção preferencial de propagação e a forma como a energia se distribui no espaço, por meio de parâmetros como ganho, diretividade e diagrama de radiação.
Em termos simples, a antena não apenas permite que o sinal exista. Ela molda o próprio comportamento da onda eletromagnética transmitida.
Grande parte da confusão presente nas manchetes vem da mistura de dois conceitos diferentes: antena e Estação Rádio Base, a chamada ERB. A ERB é um conjunto completo de equipamentos que inclui rádios, sistemas de controle, energia, transmissão e, evidentemente, antenas. Quando se afirma que uma tecnologia dispensa ERBs, o que se está dizendo é que não será necessária a instalação de infraestrutura terrestre tradicional. Isso não significa, em hipótese alguma, que as antenas deixaram de existir.
Nos serviços tradicionais de internet via satélite, o usuário precisa instalar uma antena externa dedicada. Em propostas mais recentes de conectividade direta via satélite, essa antena externa deixa de ser necessária. No entanto, o telefone celular continua utilizando antenas internas integradas ao seu sistema de radiofrequência, enquanto os satélites empregam arranjos avançados de antenas para transmissão e recepção dos sinais.
Essas soluções fazem parte do conceito de redes não terrestres, previsto nos padrões definidos pelo 3GPP, que tratam da integração do 5G com plataformas orbitais. Nesse modelo, o satélite assume o papel de ponto de acesso da rede, enquanto o dispositivo do usuário continua operando como qualquer sistema de rádio, com antena, campos eletromagnéticos e propagação no espaço.
Portanto, a forma correta de explicar essa inovação não é afirmar que existe “5G sem antena”, mas sim que há 5G sem infraestrutura terrestre tradicional. A diferença é fundamental do ponto de vista técnico.
A tecnologia pode evoluir, as arquiteturas podem mudar e os sistemas podem se tornar cada vez mais sofisticados. O que não muda são as leis da física. Sempre que houver comunicação sem fio, haverá campos elétricos e magnéticos se propagando pelo espaço livre. E sempre que isso ocorrer, haverá um sistema irradiante responsável por essa radiação. Pode-se dispensar torres e estações rádio base no solo. Antenas, não. Onde há onda eletromagnética, há antena. Negar isso não é inovação. É desconhecer os fundamentos da engenharia.

Autor
Engenheiro Eletricista Rogerio Moreira Lima Silva
Diretor de Inovação e Diretor Estadual no Maranhão da ABTELECOM, Especialista da ABEE Nacional e 1º Secretário da ABEE-MA, Embaixador da ABRACOPEL e do Instituto EWRAN, membro do SENGE-MA e do CEM, Diretor de Relações Institucionais da Academia Maranhense de Ciências e professor da Universidade Estadual do Maranhão.

Telecomunicações e Engenharia na Era da Transformação Digital

telecomunicacoes e engenharia

A engenharia por trás da conectividade, da inovação e do desenvolvimento tecnológico

Ao mesmo tempo em que sustentam a transformação digital, a inovação e a integração da sociedade, as telecomunicações figuram entre os campos mais complexos da engenharia moderna. A afirmação de que “telecom é difícil”, longe de ser um exagero, reflete a elevada densidade técnica, matemática e regulatória que caracteriza a área. Afinal, como ocorre em todas as modalidades da engenharia, a Engenharia de Telecomunicações exige domínio aprofundado de matemática e física, que constituem a base para a compreensão e o projeto dos sistemas de comunicação. Compreender essa complexidade é fundamental para entender por que a Engenharia de Telecomunicações ocupa papel estratégico no avanço tecnológico do Brasil.

Do ponto de vista legal e conceitual, a própria definição de telecomunicações já evidencia essa abrangência técnica. Nos termos do art. 60 da Lei nº 9.472/1997, telecomunicação é a transmissão, emissão ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza. Essa definição deixa claro que as telecomunicações envolvem, de forma indissociável, sistemas físicos, fenômenos eletromagnéticos, processamento de sinais e redes complexas de transmissão de informação.

Fica evidente, portanto, que as telecomunicações são, em sua essência, engenharia aplicada, muito antes mesmo de serem expressamente reconhecidas como atividade característica da engenharia pelo art. 1º, alínea “b”, da Lei nº 5.194/1966. Já em 18 de agosto de 1952, a Resolução CONFEA nº 78 atribuía as atividades de telecomunicações aos engenheiros eletricistas e mecânicos-eletricistas, demonstrando o pioneirismo do Sistema CONFEA na regulamentação técnica do setor. À época, o próprio Conselho já definia serviço de telecomunicações como qualquer emissão, transmissão ou recepção de sinais, imagens ou sons de qualquer natureza, utilizando princípios elétricos, sônicos, ópticos ou outros quaisquer, por meio de qualquer sistema ou meio de propagação. Esse histórico normativo evidencia que as telecomunicações sempre foram tratadas, desde sua origem regulatória, como um campo eminentemente técnico e científico, indissociável da engenharia, muito antes da edição da Lei Geral de Telecomunicações, em 1997.

Esse reconhecimento inicial não permaneceu estático. À medida que os sistemas de comunicação se tornaram mais complexos, incorporando técnicas avançadas de modulação, teoria da informação, processamento digital de sinais, redes e sistemas de rádio cada vez mais sofisticados, o campo das telecomunicações passou por um processo natural de especialização profissional. Esse movimento conduziu, primeiro, à consolidação do engenheiro de comunicação e, posteriormente, ao reconhecimento formal do engenheiro de telecomunicações como campo específico da engenharia, com formação própria, currículo dedicado e competências técnicas altamente especializadas.

A dificuldade da Engenharia de Telecomunicações não decorre apenas do volume de conteúdos ou do rigor acadêmico. Ela está profundamente associada à fragilidade da formação matemática básica com a qual muitos estudantes chegam ao ensino superior. O curso pressupõe domínio consistente, ainda no ensino médio, de funções, trigonometria, geometria analítica, vetores e fundamentos da física clássica, conteúdos que não são retomados de forma introdutória, mas imediatamente aprofundados e utilizados como linguagem básica para disciplinas centrais da formação.

Esse diagnóstico é empírico. O Brasil ocupou a 65ª posição em Matemática no PISA 2023, entre 81 países avaliados, evidenciando um descaso histórico com o ensino de base e com a formação científica. Esse resultado ajuda a explicar por que áreas intensivas em matemática, física e raciocínio abstrato, como a Engenharia de Telecomunicações, são frequentemente percebidas como excessivamente difíceis. Em contrapartida, países que valorizam a engenharia, a ciência e a pesquisa estruturam seu desenvolvimento sobre projetos tecnicamente sólidos, planejamento eficiente e execução responsável.

A partir dessa base fragilizada, o estudante passa a lidar com matemática de nível superior, como cálculo diferencial e integral, álgebra linear, equações diferenciais, análise complexa, séries e transformadas de Fourier, além de processos estocásticos. Quando essa base não está devidamente consolidada, a dificuldade enfrentada não é circunstancial ou pontual, mas estrutural, comprometendo de forma contínua o acompanhamento e a assimilação dos conteúdos próprios da Engenharia de Telecomunicações.

Na Engenharia de Telecomunicações, esses instrumentos matemáticos constituem o núcleo da formação técnica. A análise espectral de sinais exige domínio da transformada de Fourier, essencial para a caracterização da densidade espectral de potência, da largura de banda ocupada, da eficiência espectral e do impacto do ruído e das interferências sobre o desempenho dos sistemas de comunicação.

Essa base matemática se materializa diretamente em tecnologias amplamente utilizadas. Um exemplo emblemático é o OFDM, técnica central em sistemas como LTE, 5G e Wi-Fi. O OFDM é, essencialmente, uma aplicação direta da transformada discreta de Fourier, implementada por meio de algoritmos de FFT e IFFT, permitindo a decomposição do sinal em múltiplas subportadoras ortogonais, com elevada eficiência espectral e maior robustez frente aos efeitos do multipercurso.

Outro eixo estruturante da formação é o estudo da propagação de ondas eletromagnéticas. Em sistemas sem fio, a propagação ocorre no espaço livre ou em meios atmosféricos, envolvendo fenômenos como atenuação, reflexão, refração, difração, espalhamento, multipercurso e interferência. O projeto de enlaces e redes móveis baseia-se em modelos consolidados internacionalmente, estabelecidos em recomendações da ITU-R, como as Recomendações P.525, P.526 e P.1411, amplamente utilizadas no planejamento de cobertura e no controle de interferências.

Nos meios guiados metálicos, como pares trançados, cabos coaxiais e guias de onda, a propagação também é eletromagnética, sendo descrita pelas equações de Maxwell e pela teoria de linhas de transmissão, que modela a distribuição espacial dos campos, a impedância característica e os fenômenos de atenuação e reflexão. A fibra óptica, por sua vez, constitui um guia de onda dielétrico, no qual a propagação ocorre na faixa óptica do espectro por reflexão total interna, exigindo igualmente a modelagem a partir das equações de Maxwell, com a aplicação rigorosa das condições de contorno eletromagnéticas na interface entre núcleo e casca.

A coexistência de múltiplos modos de propagação pode dar origem à dispersão intermodal, que, somada à dispersão cromática, impõe limites físicos à taxa de símbolos e ao alcance dos sistemas de comunicação óptica, influenciando diretamente o projeto de enlaces, a escolha do tipo de fibra e as margens de desempenho dos sistemas.

No campo das redes ópticas de acesso, esses fenômenos físicos são tratados de forma normatizada pelas recomendações da ITU-T. A Recomendação ITU-T G.984, que define o padrão GPON, estabelece parâmetros físicos, ópticos e de transmissão para redes FTTH, garantindo interoperabilidade entre fabricantes, compartilhamento eficiente da infraestrutura e altas taxas de transmissão.

Nas comunicações sem fio, o planejamento de redes móveis envolve ainda medições em campo por meio de drive tests, etapa essencial para validar modelos teóricos, ajustar parâmetros de rede e garantir qualidade de serviço. O canal rádio móvel é modelado como um processo estocástico estacionário no sentido amplo, com espalhadores descorrelacionados, no qual a resposta impulsiva apresenta variações estatísticas no tempo e na frequência em decorrência do multipercurso e da mobilidade. Essa dispersão temporal e espectral constitui a origem física da interferência intersimbólica, impondo limites práticos à taxa de símbolos e, consequentemente, à taxa de transmissão, analisados à luz do critério de Nyquist e da teoria da capacidade de canal.

Importa destacar que as telecomunicações envolvem riscos relevantes para trabalhadores e para a população em geral. A atuação em infraestruturas compartilhadas com o Sistema Elétrico de Potência expõe profissionais a riscos elétricos tratados pela NR-10, os trabalhos em altura enquadram-se na NR-35 e a exposição à radiação não ionizante é tratada pela NR-15, Anexo 7, reforçando a necessidade de responsabilidade técnica e de Anotação de Responsabilidade Técnica.

Merece destaque especial a revisão da NR-10, que solucionou um impasse histórico envolvendo os trabalhadores de telecomunicações que atuam em infraestruturas compartilhadas com o Sistema Elétrico de Potência. A norma passou a reconhecer formalmente que as atividades de telecomunicações expõem os profissionais a riscos elétricos por proximidade, especialmente em postes e estruturas compartilhadas, sem equipará-los às atividades típicas de eletricistas de linha viva. Para esse cenário específico, a nova NR-10 instituiu o Treinamento de Segurança Específico para Compartilhamento de Infraestrutura do Sistema Elétrico de Potência, com carga horária mínima de 40 horas, direcionado às particularidades das telecomunicações. Esse avanço normativo amplia a segurança jurídica, assegura qualificação adequada e reforça a necessidade de planejamento técnico, supervisão por engenheiro legalmente habilitado e formalização da responsabilidade técnica por meio da Anotação de Responsabilidade Técnica nos serviços de telecomunicações realizados em ambientes com risco elétrico.

No plano dos serviços prestados à sociedade, a Engenharia de Telecomunicações se materializa na oferta de banda larga, telefonia móvel e TV por assinatura, serviços essenciais à transformação digital, à inovação, à economia baseada em dados e à inclusão social.

Em suma, não existe transformação digital sem telecomunicações, nem avanço tecnológico sem engenharia. A complexidade técnica da Engenharia de Telecomunicações não constitui um entrave, mas a base que sustenta a conectividade, a inovação e o desenvolvimento tecnológico do Brasil.

Autor
Engenheiro Eletricista Rogerio Moreira Lima Silva
Diretor de Inovação e Diretor Estadual no Maranhão da ABTELECOM, Especialista da ABEE Nacional e 1º Secretário da ABEE-MA, Embaixador da ABRACOPEL, membro do SENGE-MA e do CEM, Diretor de Relações Institucionais da Academia Maranhense de Ciências e professor da Universidade Estadual do Maranhão.