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Do alto-mar à terra: telecomunicações conectam operações e aproximam equipes mesmo à distância

Entenda como plataformas de petróleo operam com o auxílio de transmissão de dados, satélite, redes de alta capacidade e infraestrutura digital

Nesta terça-feira (29) é o Dia Mundial do Petróleo, data que reforça a importância desse recurso natural. Para além dos combustíveis, o petróleo fornece matéria-prima para a produção de diversos bens de consumo presentes no cotidiano de milhões de pessoas.

Em uma economia cada vez mais digitalizada e conectada, a indústria do petróleo também depende das telecomunicações. Em plataformas instaladas em alto-mar, a transmissão de dados, a comunicação via satélite e outras infraestruturas de conectividade auxiliam a operação e a comunicação com equipes em terra.

Como a plataforma se conecta com a terra?

Em alto-mar, a conectividade não depende necessariamente de uma única tecnologia. Satélites, cabos de fibra óptica e, em algumas regiões, redes móveis podem fazer parte da infraestrutura responsável por manter as plataformas conectadas.

É nesse cenário que a comunicação via satélite ganha importância, permitindo a transmissão de dados entre a estrutura em alto-mar e os centros de operação em terra.

Além dos satélites, cabos de fibra óptica submarinos também podem conectar estruturas offshore às redes em terra, permitindo a transmissão de grandes volumes de dados em alta velocidade.

Em algumas regiões com infraestrutura disponível, as redes móveis também podem alcançar instalações em alto-mar. As tecnologias 4G e 5G permitem conectar não apenas os profissionais que estão nas plataformas, mas também sensores, equipamentos e outros dispositivos utilizados nas operações.

Essas diferentes tecnologias podem ainda funcionar de forma complementar, formando redes híbridas que ajudam a ampliar disponibilidade e a capacidade da conexão em alto-mar.

E dentro da plataforma, como funciona a conectividade?

Dentro da plataforma, a conectividade também está presente na rotina dos profissionais. Redes Wi-Fi e redes móveis privadas podem distribuir o acesso à comunicação por diferentes áreas da instalação, conectando trabalhadores, equipamentos e sistemas utilizados nas atividades.

Sensores e outros dispositivos conectados, por sua vez, permitem coletar e transmitir informações sobre equipamentos e processos, contribuindo para o acompanhamento das operações. A comunicação dentro da plataforma e com as equipes em terra também desempenha papel importante na segurança e na resposta a situações que exigem atenção.

Por trás das operações realizadas a quilômetros da costa, diferentes tecnologias de telecomunicações permitem manter pessoas, equipamentos e sistemas conectados, contribuindo também para a segurança das atividades. Mesmo à distância, a conectividade aproxima o trabalho desempenhado por profissionais e equipes especializadas em alto-mar e em terra.

 

Fonte: Agência Gov

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Infraestrutura de IA vai consumir quase US$ 1,5 trilhão em 2026

Servidores, redes, chips, dispositivos e IaaS devem concentrar 55,6% dos US$ 2,67 trilhões destinados à tecnologia, segundo o Gartner.

Os gastos globais com infraestrutura para IA devem alcançar US$ 1,48 trilhão em 2026, segundo projeção do Gartner. O montante representa 55,6% dos US$ 2,67 trilhões que devem ser movimentados mundialmente pelas diferentes categorias relacionadas à tecnologia neste ano.

A estimativa para infraestrutura supera em cerca de 51% os US$ 981,9 bilhões registrados em 2025. A categoria considerada pelo Gartner reúne infraestrutura como serviço (IaaS) otimizada para IA, servidores especializados, redes, semicondutores destinados ao processamento e dispositivos.

O crescimento acompanha a ampliação da capacidade computacional dos data centers, especialmente por hyperscalers e provedores de serviços que compram servidores preparados para essas cargas de processamento.

“A expansão da capacidade de data centers de IA é o maior projeto de infraestrutura já empreendido pela humanidade”, afirma John-David Lovelock, vice-presidente analista emérito do Gartner. Segundo ele, a expansão promovida por hyperscalers e provedores de serviços continuará respondendo pela maior área individual de gastos.

Infraestrutura concentra mais da metade dos gastos

A projeção do Gartner mostra que a infraestrutura permanece como a maior categoria do mercado nos três anos analisados. Em 2026, o valor previsto supera a soma dos gastos com serviços e software.

Gastos mundiais com IA por segmento

Segmento 2025 2026 2027
Infraestrutura de IA US$ 981,9 bilhões US$ 1,484 trilhão US$ 1,978 trilhão
Serviços de IA US$ 434,0 bilhões US$ 576,5 bilhões US$ 745,7 bilhões
Software de IA US$ 288,2 bilhões US$ 461,6 bilhões US$ 656,4 bilhões
Cibersegurança de IA US$ 25,9 bilhões US$ 51,3 bilhões US$ 86,0 bilhões
Agentes e assistentes US$ 16,5 bilhões US$ 29,2 bilhões US$ 65,5 bilhões
Modelos generativos US$ 13,0 bilhões US$ 28,3 bilhões US$ 51,6 bilhões
Total US$ 1,787 trilhão US$ 2,670 trilhões US$ 3,637 trilhões

Fonte: Gartner. Valores arredondados.

O Gartner avalia que a procura por capacidade de processamento permanece elevada apesar das pressões sobre os preços de componentes, incluindo memória. A demanda está associada à preparação da infraestrutura necessária para suportar futuras cargas de trabalho.

Consideradas todas as categorias acompanhadas pela consultoria, os gastos devem crescer 49,5% em relação a 2025. Serviços aparecem como o segundo maior segmento em valores absolutos, seguidos por software.

Gartner eleva projeções para 2026

A previsão mais recente representa uma revisão para cima das estimativas do Gartner. Em janeiro, a consultoria calculava gastos globais de US$ 2,53 trilhões em 2026. Posteriormente, a projeção passou para US$ 2,59 trilhões e agora alcança US$ 2,67 trilhões.

Também houve mudanças nas expectativas para segmentos específicos. A previsão de crescimento das plataformas de desenvolvimento de aplicações de IA em 2026 passou de 28% para 39%, diante da demanda por aplicações personalizadas. Para modelos de IA generativa, a estimativa de expansão foi elevada de 110% para 117%.

O Gartner passou ainda a contabilizar agentes e assistentes separadamente do mercado de software de IA, incluindo nessa categoria soluções empresariais e destinadas aos consumidores.

Infraestrutura se aproxima de US$ 2 trilhões em 2027

Para 2027, a consultoria projeta US$ 3,64 trilhões em gastos globais relacionados à IA, avanço de aproximadamente 36% sobre o valor esperado para 2026.

A infraestrutura deve permanecer como a principal categoria, alcançando US$ 1,98 trilhão. A projeção representa crescimento de cerca de 33% em um ano.

Entre 2025 e 2027, portanto, o valor anual destinado à infraestrutura passa de US$ 981,9 bilhões para US$ 1,98 trilhão, de acordo com as projeções.

Fonte: Telesintese

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Anatel reafirma compromisso com a segurança da sociedade brasileira

Em 28 de agosto de 2026, o Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deliberou, por unanimidade, pela manutenção das regras estabelecidas no art. 43 do Regulamento Geral dos Serviços de Telecomunicações (RGST), aprovado pela Resolução Anatel nº 777/2025, e nas Resoluções Internas Anatel nº 428/2025 e nº 490/2025, rejeitando os pedidos de anulação apresentados por entidades do setor. As deliberações foram formalizadas nos Acórdãos nº 231, 232 e 233, de 31 de agosto de 2026.

O art. 43 do RGST estabelece que a autorizada de serviço de telecomunicações de interesse coletivo permanece responsável perante a Anatel por suas obrigações, mesmo quando contrata terceiros para a construção, instalação e manutenção de suas redes de infraestrutura de telecomunicações. O dispositivo determina ainda que a autorizada e seus terceirizados devem zelar pela integridade física dos trabalhadores, pela qualificação técnica dos serviços e pela regularidade jurídica e fiscal, além de comprovar a adoção de medidas de prevenção de acidentes, de garantia da saúde do trabalhador e de regularidade das obrigações trabalhistas e fiscais.

Essa disposição é particularmente relevante porque deixa claro que a contratação de terceiros para a execução de atividades relacionadas às redes de telecomunicações não afasta a responsabilidade da autorizada perante a Anatel. A própria análise que fundamentou uma das decisões do Conselho Diretor registra que o art. 43 mantém essa responsabilidade mesmo diante da terceirização e reforça os deveres relacionados às condições trabalhistas, de segurança e de saúde dos trabalhadores.

O § 3º do art. 43 determina que a Anatel deverá detalhar, por resolução interna, a documentação necessária para a comprovação dessas obrigações. É nesse contexto que foi editada a Resolução Interna Anatel nº 428/2025, que estabelece os documentos destinados à comprovação da adoção de medidas de prevenção de acidentes e à comprovação formal da existência e apresentação de documentação relativa às obrigações trabalhistas e fiscais no âmbito dos procedimentos regulatórios da Agência.

Entre os documentos previstos estão a comprovação da existência de Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), equipamentos de proteção individual e coletiva, treinamentos de segurança no trabalho e atestado de capacidade técnica, além de documentação relacionada à regularidade trabalhista e fiscal. A norma também prevê a apresentação anual de documentos que incluem certidão negativa de débitos trabalhistas ou certidão positiva com efeito de negativa, certidão de regularidade do FGTS, certidão negativa de débitos federais e registro junto ao CREA ou CRT.

Outro ponto central analisado pelo Conselho Diretor foi a alegação de que a participação de entidades habilitadas na verificação documental representaria uma delegação indevida do poder de polícia ou de competência fiscalizatória. O entendimento adotado pela Anatel foi de que o procedimento possui caráter administrativo, formal e declaratório, limitando-se à verificação da existência da documentação exigida, sem avaliação material do cumprimento da legislação trabalhista, fiscal ou de segurança e saúde do trabalho.

 

A regulamentação estabelece que a atuação das entidades habilitadas constitui atividade de apoio à regulação, não implicando delegação de competência fiscalizatória da Anatel. A verificação documental também não substitui, limita ou vincula a atuação do Ministério do Trabalho e Emprego e de outros órgãos da Administração Pública.

Dessa forma, as entidades habilitadas não exercem poder de polícia, não aplicam sanções e não substituem os órgãos competentes. Sua atuação está restrita à verificação documental dos documentos exigidos e ao encaminhamento de eventuais não conformidades ou indícios de irregularidades aos órgãos responsáveis, permanecendo com o Poder Público as competências de fiscalização e apuração. O próprio Conselho Diretor já havia registrado que essa atuação constitui atividade de apoio à regulação, sem transferência de competência fiscalizatória.

Ao analisar os pedidos de anulação, o Conselho Diretor também reafirmou entendimentos anteriormente adotados pela própria Agência. No Acórdão nº 231, ficou registrado que o art. 43 não atribui à Anatel competência para fiscalizar materialmente obrigações trabalhistas ou fiscais, limitando sua atuação à exigência de apresentação dos documentos e à verificação formal de sua existência. O mesmo acórdão consignou que as entidades habilitadas não exercem poder de polícia, não aplicam sanções e não substituem os órgãos competentes em matéria trabalhista, fiscal ou de segurança do trabalho.

Os Acórdãos nº 231, 232 e 233 mantiveram, assim, o modelo regulatório estabelecido pela Anatel. No Acórdão nº 233, o Conselho Diretor, por unanimidade, conheceu do pedido de anulação, indeferiu a medida cautelar para suspensão da eficácia das normas e negou provimento ao pedido formulado pela TelComp.

A decisão reforça a estrutura estabelecida pela Anatel para a prestação dos serviços de telecomunicações de interesse coletivo: a responsabilidade da autorizada permanece mesmo diante da terceirização das atividades, enquanto a comprovação documental das medidas de prevenção de acidentes e da regularidade trabalhista e fiscal integra os mecanismos regulatórios da Agência. Ao mesmo tempo, a participação de entidades habilitadas permanece limitada ao apoio na verificação documental, sem transferência das competências fiscalizatórias dos órgãos públicos.

Nesse contexto, a manutenção das regras pelo Conselho Diretor da Anatel reafirma a importância atribuída pela Agência à prevenção de acidentes, à integridade física dos trabalhadores, à qualificação técnica dos serviços e à regularidade jurídica e fiscal na execução das atividades relacionadas às redes de telecomunicações. A decisão preserva, dessa forma, o modelo estabelecido pelo art. 43 do RGST e detalhado pela Resolução Interna Anatel nº 428/2025, reforçando a responsabilidade das prestadoras e a adoção de mecanismos de prevenção e verificação documental na prestação dos serviços de telecomunicações.

 

Rogerio Moreira Lima é engenheiro eletricista e doutor em Telecomunicações, diretor de Inovação e diretor estadual da ABTELECOM no Maranhão. Também é diretor de Relações Institucionais da Academia Maranhense de Ciências, especialista da ABEE e 1º Secretário da ABEE-MA, embaixador da ABRACOPEL e do Instituto EWRAN e professor da UEMA.

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Brasil e Índia assinam acordo sobre IA, cibersegurança e telecomunicações

acordo

Memorando prevê cooperação em regulação, fibras ópticas, cabos submarinos, IoT e recursos orbitais; grupo de trabalho definirá ações.

Os ministérios das Comunicações do Brasil e da Índia assinaram nesta sexta-feira, 21 de agosto, um Memorando de Entendimento para ampliar a cooperação bilateral em tecnologia e telecomunicações. O documento abrange inteligência artificial, cibersegurança, infraestrutura digital, conectividade por fibras ópticas e cabos submarinos.

O acordo foi firmado durante missão do ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, à Índia. O texto prevê intercâmbio de informações e experiências, reuniões bilaterais e programas de formação e capacitação.

Um grupo de trabalho será criado para definir as iniciativas e elaborar um plano conjunto. O comunicado do Ministério das Comunicações não informa prazo para a instalação do colegiado nem apresenta projetos, metas ou investimentos associados ao memorando.

Regulação e recursos orbitais

A agenda de cooperação também contempla regulação do setor de telecomunicações, proteção do consumidor e transformação digital. Entre as tecnologias novas e emergentes mencionadas estão inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT).

No segmento espacial, o memorando inclui otimização do uso de recursos orbitais e sustentabilidade espacial. O escopo ainda alcança a infraestrutura física necessária ao tráfego de dados, incluindo redes de fibra óptica e sistemas de cabos submarinos.

Segundo o MCom, a parceria tem como objetivos promover conectividade significativa, ampliar a inclusão digital e estimular o intercâmbio de conhecimento, experiências e inovação entre os dois países. A execução dessas frentes dependerá do plano a ser preparado pelo grupo de trabalho bilateral.

Segundo memorando em 2026

Este é o segundo acordo firmado em 2026 entre os ministérios das Comunicações do Brasil e da Índia. Em fevereiro, os países assinaram um memorando voltado ao setor postal, com previsão de cooperação para modernização dos serviços, inovação e eficiência operacional.

Na ocasião, o ministro brasileiro integrou a comitiva presidencial que participou da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Délhi. Frederico se reuniu com o ministro das Comunicações da Índia, Jyotiraditya Scindia, e discutiu Open RAN, comunicação de dados e cibersegurança.

Durante aquela missão, o ministro brasileiro afirmou que a inteligência artificial exigiria redes mais densas, maior capacidade de transmissão, data centers e integração internacional. Também citou a experiência indiana na expansão da infraestrutura de telecomunicações, com aproximadamente US$ 17 bilhões investidos pelo país em sua rede de fibra óptica. (Com assessoria de imprensa)

Fonte: Telesintese

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6 GHz: engenharia, regulação e os caminhos para o 6G no Brasil

Propagação 6Gh Brasil

Propagação 6Gh Brasil

A faixa de 6 GHz vem ganhando importância nas discussões sobre o futuro das telecomunicações no Brasil. O processo conduzido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a faixa de 6425 a 7125 MHz (6,425 a 7,125 GHz) envolve não apenas uma questão regulatória, mas também importantes aspectos de engenharia de telecomunicações, especialmente relacionados à propagação, à coexistência com outros sistemas e à evolução das redes móveis.

A faixa está inserida na região de SHF (Super High Frequency), de 3 a 30 GHz, na qual a propagação em visibilidade constitui uma referência importante para o planejamento dos sistemas de radiocomunicação. No ambiente móvel, entretanto, o sinal também está sujeito a reflexão, espalhamento, difração, obstruções e múltiplos percursos.

6 GHz para telefonia móvel: equilíbrio entre capacidade e propagação

Quando analisada especificamente para a telefonia móvel, a faixa de 6425 a 7125 MHz apresenta uma característica particularmente interessante para a evolução das redes 5G Advanced e 6G: oferece maior largura de banda e capacidade sem apresentar todas as limitações de propagação características das ondas milimétricas.

Em 6,4 GHz, o comprimento de onda é de aproximadamente 4,7 cm. Por estar inserida na faixa de SHF, a propagação em visibilidade (Line of Sight, LoS) constitui uma referência importante para o planejamento. Entretanto, em uma rede móvel, o sinal não se propaga exclusivamente em visibilidade. Edificações, estruturas urbanas, veículos, vegetação e outros obstáculos produzem reflexão, espalhamento, difração e múltiplos percursos, compondo um canal variável no espaço e no tempo.

Nesse contexto, a difração deve ser entendida como um dos mecanismos que contribuem para o comportamento do canal, e não como substituta da propagação em visibilidade. Sua contribuição relativa tende a ser maior em 6 GHz do que em ondas milimétricas, em razão do maior comprimento de onda. À medida que a frequência aumenta, o comprimento de onda diminui e determinados obstáculos passam a representar dimensões elétricas maiores para a onda, podendo produzir bloqueios mais severos e reduzir a contribuição relativa da difração.

Em comparação com bandas milimétricas, como 26, 28 ou 39 GHz, a frequência de 6 GHz apresenta menor perda de percurso no espaço livre para uma mesma distância e, de forma geral, condições de propagação mais favoráveis em ambientes com obstruções. Isso não significa que a cobertura seja equivalente à de bandas mais baixas, como 700 MHz ou 3,5 GHz. A faixa de 6 GHz ocupa, portanto, uma posição intermediária entre cobertura e capacidade.

Outro aspecto favorável está relacionado à chuva. Na faixa de 6425 a 7125 MHz, a atenuação específica provocada pela precipitação é relativamente pequena quando comparada às frequências muito mais elevadas. Assim, a chuva tende a exercer influência muito menor sobre o enlace de acesso móvel em 6 GHz.

Essa característica merece atenção especial no Brasil, particularmente na Região Norte e no Maranhão, onde podem ocorrer eventos de precipitação muito intensa, com taxas que, em determinadas localidades e condições meteorológicas, podem superar 100 mm/h. Esses valores devem ser interpretados segundo as estatísticas locais de precipitação e o período de referência utilizado nos modelos de propagação.

Entretanto, para a telefonia móvel em 6 GHz, uma elevada taxa de precipitação não significa, por si só, que a chuva será o principal mecanismo de degradação do enlace. A atenuação provocada pela chuva depende da frequência, da intensidade da precipitação e, principalmente, do comprimento do percurso efetivamente submetido à chuva. Em enlaces de acesso móvel, normalmente de menor extensão, esse efeito tende a ser significativamente menos relevante do que em enlaces terrestres de longa distância operando em frequências mais elevadas.

Assim, mesmo em regiões sujeitas a precipitações intensas, a faixa de 6 GHz apresenta uma característica favorável: a atenuação por chuva é relativamente baixa quando comparada às frequências superiores, tornando esse mecanismo menos crítico no planejamento do enlace de acesso móvel. Nesse cenário, fatores como perda de percurso, obstrução, multipercurso, reflexão, difração, espalhamento, vegetação e interferência tendem a assumir maior importância.

Essa combinação faz da faixa de 6 GHz uma alternativa particularmente interessante para ampliar a capacidade das redes móveis sem enfrentar, na mesma intensidade, os desafios de propagação encontrados nas ondas milimétricas.

 

 

Propagação urbana e o modelo α-β-γ

É nesse contexto que ganha importância a Recommendation ITU-R P.1411-13, aprovada em setembro de 2025. A recomendação trata de dados de propagação e métodos de previsão para sistemas de radiocomunicação outdoor de curto alcance e redes locais de rádio, abrangendo a faixa de 300 MHz a 300 GHz.

Entre os cenários contemplados está o modelo site-general para propagação dentro de street canyons, aplicável quando as estações transmissora e receptora estão localizadas abaixo do nível dos telhados.

É importante destacar que o modelo α-β-γ não deve ser tratado como uma solução genérica para qualquer enlace em 6 GHz. Sua aplicação é particularmente pertinente ao cenário de propagação em street canyon, quando transmissor e receptor estão abaixo do nível dos telhados, condição em que a geometria das ruas e das edificações, juntamente com reflexões, difrações, obstruções e múltiplos percursos, exerce forte influência sobre a propagação.

A formulação permite estimar estatisticamente a perda de percurso em função da distância e da frequência. De forma simplificada, α está associado ao crescimento da perda com a distância, β representa o termo de ajuste do modelo e γ representa a dependência da perda em relação à frequência.

Portanto, não se trata de afirmar que o α-β-γ seja “o modelo de propagação do 6 GHz”. Trata-se de uma formulação aplicável a determinado cenário urbano, particularmente o street canyon com as estações abaixo do nível dos telhados, conforme as condições estabelecidas pela ITU-R P.1411-13.

Para futuras redes 6G, esse tipo de modelagem pode contribuir para estudos de cobertura e planejamento em ambientes urbanos, especialmente quando a geometria das ruas e edificações exerce influência significativa sobre o canal.

OFDM, multipercurso e o 5G NR

Outro aspecto fundamental é a forma de onda utilizada nas redes móveis.

O OFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplexing) apresenta elevada eficiência espectral e é particularmente adequado a ambientes sujeitos a multipercursos. Ao distribuir a informação por diversas subportadoras ortogonais, permite lidar melhor com as diferentes trajetórias percorridas pelo sinal.

Em ambientes urbanos, onde reflexões e múltiplos percursos podem provocar dispersão temporal, o prefixo cíclico (Cyclic Prefix, CP) funciona como intervalo de guarda, reduzindo a interferência intersimbólica e permitindo preservar a ortogonalidade entre as subportadoras.

Existe, porém, um compromisso de engenharia: quanto maior o intervalo de guarda, maior a proteção contra o multipercurso, mas também maior o overhead da transmissão.

Diferentemente do LTE, em que o uplink utilizava SC-FDMA, o 5G NR passou a permitir o uso de CP-OFDM também no uplink. No PUSCH, o 3GPP prevê, adicionalmente, a possibilidade de habilitar o transform precoding, que resulta na forma de onda DFT-s-OFDM. Assim, o uplink do 5G NR não deve ser caracterizado exclusivamente como DFT-s-OFDM: o CP-OFDM é suportado, enquanto o DFT-s-OFDM é obtido quando o transform precoding é habilitado.

A ideia é simples: antes do processamento OFDM, os símbolos passam por uma Transformada Discreta de Fourier (DFT). Esse processamento produz uma forma de onda com características semelhantes às de uma transmissão de portadora única e contribui para reduzir o PAPR (Peak-to-Average Power Ratio). Isso é particularmente importante no terminal móvel, pois um PAPR menor pode favorecer a eficiência do amplificador de potência.

O 5G NR também não resolveu os compromissos do OFDM simplesmente abandonando a forma de onda. A solução adotada foi tornar seus parâmetros escaláveis.

O NR utiliza uma numerologia escalável, permitindo diferentes espaçamentos entre subportadoras. Com o aumento do espaçamento entre subportadoras, a duração do símbolo OFDM diminui, permitindo adequar o intervalo de guarda e o prefixo cíclico ao atraso de multipercurso esperado em determinado cenário.

Dessa forma, evita-se utilizar um intervalo de guarda maior do que o necessário, reduzindo seu impacto sobre a eficiência temporal da transmissão.

Portanto, a solução adotada pelo 5G não foi abandonar o OFDM para eliminar o prefixo cíclico, mas tornar sua configuração mais flexível por meio da numerologia escalável e, no uplink, permitir também o uso de transform precoding para DFT-s-OFDM.

Essa é uma importante lição de engenharia do 5G: uma limitação tecnológica nem sempre exige a substituição completa da tecnologia. Muitas vezes, a solução está na otimização da forma de onda e de seus parâmetros de transmissão.

Novas formas de onda e o caminho para o 6G

Durante o desenvolvimento do 5G foram estudadas diversas alternativas ao OFDM, entre elas FBMC (Filter Bank Multicarrier), UFMC (Universal Filtered Multicarrier), F-OFDM (Filtered-OFDM) e GFDM (Generalized Frequency Division Multiplexing).

O FBMC buscou maior confinamento espectral por meio de bancos de filtros; o UFMC aplicou filtragem por sub-bandas; o F-OFDM introduziu filtragem flexível em diferentes partes do espectro; e o GFDM buscou maior flexibilidade na estrutura de transmissão.

Mais recentemente, propostas como o OTFS (Orthogonal Time Frequency Space) passaram a receber atenção em cenários nos quais mobilidade, efeito Doppler e dispersão no canal assumem maior importância.

O resultado da padronização do 5G, entretanto, foi pragmático: o OFDM permaneceu.

O 5G NR utiliza CP-OFDM no downlink e também suporta CP-OFDM no uplink. No PUSCH, o transform precoding pode ser habilitado, resultando na forma de onda DFT-s-OFDM

Isso demonstra que nenhuma das alternativas estudadas apresentou vantagens suficientes, em conjunto, para substituir o OFDM como base da interface aérea 5G NR.

A questão não é apenas eficiência espectral. Uma nova forma de onda precisa apresentar vantagens consistentes em conjunto com MIMO, sincronização, estimação de canal, equalização, mobilidade, complexidade computacional, eficiência energética, interoperabilidade e viabilidade comercial.

Para o 6G, esse processo de avaliação deverá continuar. Na faixa de 6 GHz, a escolha da forma de onda deverá considerar conjuntamente multipercurso, dispersão temporal, Doppler, prefixo cíclico, overhead, PAPR, MIMO, beamforming, eficiência espectral e latência.

A faixa de 6 GHz e o processo da Anatel

É nesse contexto técnico que deve ser analisado o Processo SEI nº 53500.012864/2025-66, da Anatel.

O processo corresponde ao item 29 da Agenda Regulatória 2025-2026 e trata da elaboração de edital de licitação para autorização de uso de radiofrequências na faixa de 6425-7125 MHz, associadas à prestação do Serviço Móvel Pessoal (SMP). A própria Anatel identifica expressamente esse processo e seu objeto.

O Termo de Abertura de Projeto identifica como áreas responsáveis a Superintendência de Planejamento e Regulamentação (SPR), a Superintendência de Outorga e Recursos à Prestação (SOR) e a Superintendência de Competição (SCP).

Nesse contexto, merece destaque Vinicius Caram, engenheiro eletricista e mestre em Engenharia de Telecomunicações, atualmente Superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel. Sua participação reforça a importância da expertise técnica na condução do projeto.

A utilização da faixa precisa considerar propagação, cobertura, potência, características das antenas, ocupação espectral, interferência e condições de coexistência com outros sistemas, incluindo o Wi-Fi.

Não se trata simplesmente de escolher entre tecnologias. Trata-se de encontrar uma solução tecnicamente equilibrada para a utilização eficiente de um recurso público e estratégico: o espectro de radiofrequências.

O debate sobre o 6 GHz e o 6G

Essa discussão não começou em 2026. Em 26 de setembro de 2024, durante o INOVAtic, Vinicius Caram já defendia publicamente a importância da faixa de 6 GHz para o futuro do 6G no Brasil.

Na ocasião, Caram afirmou que o Brasil não teria outra faixa abaixo de 6 GHz com uma portadora de 200 MHz e defendeu a utilização da faixa para permitir a futura implantação do 6G, além de discutir a possibilidade de compartilhamento entre telefonia móvel e Wi-Fi.

A manifestação é relevante porque demonstra que a discussão sobre os 6 GHz não surgiu apenas com o atual processo regulatório. Ela vem sendo construída há alguns anos e envolve uma questão estratégica: como disponibilizar espectro suficiente para que o Brasil acompanhe a evolução das redes móveis e, ao mesmo tempo, preserve a conectividade proporcionada pelas redes Wi-Fi.

O seminário do Ceadi

Essa discussão ganhou novo destaque em 28 de julho de 2026, durante seminário promovido pelo Centro de Altos Estudos em Comunicações Digitais e Inovações Tecnológicas (Ceadi) da Anatel.

Segundo reportagem do TeleSíntese, o presidente da Anatel, Carlos Manuel Baigorri, e o conselheiro Alexandre Freire destacaram que a definição sobre o futuro da faixa de 6 GHz deverá considerar evidências, estudos técnicos, testes e a participação dos diferentes setores envolvidos.

Durante o evento, Vinicius Caram defendeu que a faixa de 6 GHz se tornou estratégica para o desenvolvimento do 5G Advanced e das futuras redes móveis de sexta geração no Brasil, destacando que o debate deve considerar as necessidades futuras da infraestrutura digital brasileira e não apenas a disputa entre Wi-Fi e redes móveis.

Essa abordagem reforça uma premissa importante: a decisão regulatória deve ser baseada em evidências e não apenas em argumentos econômicos ou tecnológicos isolados.

Estudos de propagação, interferência, cobertura, testes de campo, características de antenas e coexistência podem fornecer subsídios importantes para uma decisão tecnicamente fundamentada.

O movimento de 10 de agosto de 2026

O último movimento registrado no processo é o Ofício nº 2/2026/CEO-ANATEL, de 10 de agosto de 2026, assinado pelo presidente da Anatel, Carlos Manuel Baigorri, e encaminhado ao Conselheiro Alexandre Freire.

O documento encaminhou o Informe nº 17/2026/CPOE/SCP e o Informe nº 24/2026/SOR e apresentou manifestação sobre a necessidade de estudos complementares.

A Presidência da Anatel registrou que “não se considera conveniente nem oportuna a realização de estudo complementar”, nos termos do item 5.4 do Ofício nº 222/2026/AF-ANATEL.

O documento justifica esse entendimento afirmando que os elementos pertinentes à matéria já teriam sido analisados pela área técnica e pelo Conselho Diretor quando da decisão acerca da destinação da faixa, conforme consignado na Análise nº 11/2024/VC.

É importante, entretanto, separar destinação da faixa, futura licitação e definição das condições de autorização de uso.

O processo não significa que o edital definitivo ou a licitação já estejam aprovados. A utilização da faixa pelo SMP ainda depende das etapas regulatórias correspondentes.

Engenharia como fundamento da decisão

A discussão sobre os 6425 a 7125 MHz envolve uma oportunidade de ampliar a capacidade das redes móveis e avaliar sua contribuição para futuras gerações de conectividade, inclusive o 6G.

Mas essa oportunidade precisa ser acompanhada de engenharia.

No Norte e no Maranhão, as condições climáticas devem ser consideradas nos estudos de propagação, especialmente em localidades sujeitas a eventos de precipitação muito intensa. Em determinadas localidades e condições meteorológicas, as taxas de precipitação podem superar 100 mm/h. Esses valores devem ser interpretados segundo as estatísticas locais de precipitação e o período de referência utilizado nos modelos de propagação.

Entretanto, para a telefonia móvel em 6 GHz, uma elevada taxa de precipitação não significa, por si só, que a chuva será o principal mecanismo de degradação do enlace. A atenuação provocada pela chuva depende da frequência, da intensidade da precipitação e, principalmente, do comprimento do percurso efetivamente submetido à chuva. Em enlaces de acesso móvel, normalmente de menor extensão, esse efeito tende a ser significativamente menos relevante do que em enlaces terrestres de longa distância operando em frequências mais elevadas.

Assim, mesmo em regiões sujeitas a precipitações intensas, a faixa de 6 GHz apresenta uma característica favorável: a atenuação por chuva é relativamente baixa quando comparada às frequências superiores, tornando esse mecanismo menos crítico no planejamento do enlace de acesso móvel. Nesse cenário, fatores como perda de percurso, obstrução, multipercurso, reflexão, difração, espalhamento, vegetação e interferência tendem a assumir maior importância.

 

Nos ambientes urbanos, a engenharia deverá considerar perda de percurso, multipercurso, reflexão, difração, espalhamento, obstrução, penetração em edificações, MIMO, beamforming e interferência.

A experiência do 5G demonstra também que inovação não significa necessariamente abandonar tecnologias consolidadas. O OFDM permaneceu como base do 5G NR porque apresentou um equilíbrio adequado entre desempenho, complexidade, compatibilidade e maturidade tecnológica, enquanto mecanismos como numerologia escalável e transform precoding permitiram adaptar seu uso às diferentes condições de transmissão.

Para o 6G, esse processo deverá continuar.

A faixa de 6 GHz reúne características particularmente interessantes: maior capacidade espectral, comprimento de onda de aproximadamente 4,7 cm em 6,4 GHz, condições de propagação mais favoráveis que as ondas milimétricas e menor sensibilidade à atenuação por chuva quando comparada às bandas superiores.

Para o Brasil, essa combinação pode ser estratégica.

A regulação, entretanto, precisa refletir a realidade operacional e técnica dos sistemas que pretende disciplinar. Estudos de engenharia devem fornecer os elementos necessários para avaliar se determinada solução é efetivamente viável, segura, eficiente e sustentável.

É nesse equilíbrio entre engenharia, regulação, inovação, competitividade e interesse público que estará a melhor solução para o Brasil.

Não basta ter espectro. É preciso saber utilizá-lo.

E, para isso, a engenharia precisa ser ouvida.

 

Rogerio Moreira Lima é engenheiro eletricista e doutor em Telecomunicações, diretor de Inovação e diretor estadual da ABTELECOM no Maranhão. Também é diretor de Relações Institucionais da Academia Maranhense de Ciências, especialista da ABEE e 1º Secretário da ABEE-MA, embaixador da ABRACOPEL e do Instituto EWRAN e professor da UEMA.

 

 

Referências

  1. ITU-R P.1411-13 (09/2025). Propagation data and prediction methods for the planning of short-range outdoor radiocommunication systems and radio local area networks in the frequency range 300 MHz to 300 GHz.
  2. 3GPP TS 38.211 V19.3.0, Release 19 (2026-04). NR; Physical channels and modulation, especialmente a Seção 6.3.1, Physical uplink shared channel (PUSCH), e a subseção relativa a transform precoding.
  3. ITU-R P.530. Propagation data and prediction methods required for the design of terrestrial line-of-sight systems.
  4. ITU-R P.837. Characteristics of precipitation for propagation modelling.
  5. ITU-R P.838. Specific attenuation model for rain for use in prediction methods.
  6. Anatel. Agenda Regulatória 2025-2026, item 29. Elaboração de Edital de Licitação para autorização de uso de radiofrequências na faixa de 6425-7125 MHz. Processo SEI nº 53500.012864/2025-66.
  7. TeleSíntese. “Brasil não tem outro espectro para o 6G a não ser os 6 GHz”, diz Caram. Eduardo Vasconcelos, 26 de setembro de 2024. A matéria registra a posição de Vinicius Caram sobre a importância da faixa de 6 GHz para a futura implantação do 6G no Brasil e o debate sobre o compartilhamento entre telefonia móvel e Wi-Fi.
  8. TeleSíntese. Anatel reforça que decisão sobre a faixa de 6 GHz será baseada em evidências e debate técnico. Paula Coutinho, 28 de julho de 2026. A reportagem registra as manifestações de Carlos Baigorri, Alexandre Freire e Vinicius Caram durante o seminário do Ceadi.
  9. ANATEL. Ofício nº 2/2026/CEO-ANATEL, de 10 de agosto de 2026. Resposta ao Ofício nº 222/2026/AF-ANATEL. Processo SEI nº 53500.012864/2025-66.
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Mais uma vez, o CONFEA assume pioneirismo nas telecomunicações

Figura gerada com auxílio de Inteligência Artificial (IA).

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou recentemente a matéria intitulada “Sandbox Regulatório: Anatel firma acordo para ampliar cobertura móvel com uso de repetidores e reforçadores”, destacando a formalização do Acordo de Cooperação Técnica com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) e a Fundação Instituto Nacional de Telecomunicações (Finatel). Segundo a Agência, a iniciativa prevê capacitação técnica e apoio aos municípios para expansão do sinal móvel em áreas remotas e desassistidas.

A formalização desse Acordo de Cooperação Técnica representa um importante marco para o setor brasileiro de telecomunicações. A iniciativa tem como objetivo ampliar a cobertura do Serviço Móvel Pessoal (SMP), serviço de telefonia móvel celular, especialmente em áreas remotas e desassistidas, por meio do uso de repetidores e reforçadores de sinal no contexto do sandbox regulatório da Anatel.

A Anatel, autarquia federal responsável pela regulação e fiscalização do setor de telecomunicações no Brasil, tem como missão promover o desenvolvimento das telecomunicações em benefício da sociedade. O CONFEA, por sua vez, é a autarquia federal responsável pela regulamentação do exercício profissional das engenharias, da agronomia e das geociências, bem como pelo julgamento, em última instância administrativa, dos processos relacionados à legislação profissional no âmbito do Sistema CONFEA/CREA, cabendo aos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREAs) a fiscalização direta do exercício profissional. Já a Finatel é instituição voltada à pesquisa, inovação, capacitação e desenvolvimento tecnológico em telecomunicações, atuando como elo entre academia, engenharia aplicada e setor produtivo.

O acordo simboliza a convergência entre três eixos estruturantes das telecomunicações modernas: o exercício profissional da engenharia, sob a responsabilidade normativa do CONFEA e fiscalização direta dos CREAs; a regulação setorial, conduzida pela Anatel; e a pesquisa científica, a inovação e a capacitação técnica, impulsionadas pela Finatel e pela academia. Trata-se da união entre engenharia, regulação e ciência em favor da inovação e da expansão sustentável das telecomunicações brasileiras.

Mais do que um acordo institucional, essa cooperação reafirma uma realidade histórica e técnica: a infraestrutura de telecomunicações brasileira sempre esteve profundamente conectada à engenharia.

Mais uma vez, o CONFEA assume protagonismo em um momento decisivo para o futuro da conectividade nacional. Esse protagonismo, contudo, não é recente. Décadas antes da criação da própria Anatel e da promulgação da Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, conhecida como Lei Geral de Telecomunicações, o Sistema CONFEA/CREA já reconhecia formalmente as telecomunicações como campo próprio da engenharia.

Em 18 de agosto de 1952, por meio da Resolução CONFEA nº 78/1952, o CONFEA reconheceu oficialmente o exercício, por profissionais de grau superior, da especialidade de telecomunicações. A norma foi pioneira ao estabelecer competências relativas ao estudo, projeto, direção, fiscalização, montagem e instalação de estações e redes de telecomunicações com e sem fios.

O aspecto mais impressionante dessa resolução histórica encontra-se em sua visão técnica avançada. Seu artigo 3º conceituava serviço de telecomunicação como qualquer emissão, transmissão e recepção de sinais, imagens ou sons de qualquer natureza, utilizando princípios elétricos, sônicos, óticos ou quaisquer outros meios.

Tal definição apresenta notável convergência com o conceito atualmente previsto no artigo 60 da Lei Geral de Telecomunicações, segundo o qual telecomunicação consiste na transmissão, emissão ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza.

Essa continuidade histórica demonstra que o CONFEA não apenas acompanhou a evolução do setor, mas também ajudou a construir seus fundamentos técnicos, científicos e profissionais no Brasil.

O acordo firmado com a Anatel e a Finatel reforça exatamente essa tradição. Segundo a própria Anatel, um dos pilares centrais da iniciativa será a capacitação técnico-regulatória de profissionais do Sistema CONFEA/CREA, com foco em aspectos técnicos, éticos e normativos relacionados à instalação e operação de repetidores e reforçadores de sinal.

Esse ponto é especialmente relevante porque a ausência de conhecimento técnico e regulatório tem sido um dos principais entraves para que municípios consigam implementar soluções eficientes de conectividade. Nesse contexto, o acordo prevê o desenvolvimento de cursos, materiais técnicos e ações de disseminação de conhecimento em escala nacional.

Sob a ótica da engenharia de telecomunicações, a instalação de repetidores e reforçadores de sinal está longe de ser uma atividade trivial. Trata-se de atividade altamente especializada, que exige domínio de radiofrequência, propagação eletromagnética, compatibilidade eletromagnética, planejamento de cobertura celular, análise de link budget de uplink e downlink e otimização do uso do espectro.

Equipamentos mal especificados ou inadequadamente instalados podem provocar auto-oscilação, interferências, elevação do ruído de fundo, degradação dos canais de subida e descida e redução significativa da eficiência da rede. Em termos práticos, uma solução tecnicamente mal executada pode comprometer justamente a qualidade do serviço que se busca ampliar.

Nesse cenário, o papel do CONFEA torna-se ainda mais estratégico. Sua participação reafirma que a expansão da infraestrutura de telecomunicações deve necessariamente observar responsabilidade técnica, habilitação profissional e rigor de engenharia.

A participação da Finatel fortalece o acordo ao agregar o componente de capacitação e suporte científico-tecnológico. Forma-se, assim, uma estrutura institucional robusta, na qual a Anatel atua na regulação setorial, o CONFEA estabelece o arcabouço normativo do exercício profissional da engenharia, a Finatel contribui com formação especializada, pesquisa aplicada e inovação tecnológica, cabendo aos CREAs a fiscalização direta da atuação profissional nos estados.

A celebração do acordo também está diretamente alinhada ao sandbox regulatório da Anatel, mecanismo de experimentação controlada que permite testar soluções inovadoras sob supervisão regulatória. No caso dos repetidores e reforçadores de sinal, esse ambiente regulatório experimental permitirá que entidades municipais implementem projetos de forma regular e segura, ampliando a cobertura móvel em localidades com deficiência de sinal.

Essa iniciativa responde a uma demanda histórica de municípios que enfrentam dificuldades para atrair investimentos convencionais das operadoras, especialmente em regiões rurais, áreas de sombra, rodovias e comunidades isoladas.

Os resultados esperados incluem a formação de uma rede nacional de profissionais capacitados, o aumento da autonomia técnica dos municípios e a aceleração da implementação de soluções de conectividade em regiões de baixa atratividade econômica. O acordo, cuja vigência inicial está prevista até março de 2029, também poderá ser prorrogado conforme os resultados alcançados.

A ampliação da cobertura móvel deixou de ser apenas uma questão setorial para se tornar pauta estratégica de desenvolvimento nacional. Mais conectividade significa maior inclusão digital, expansão da telemedicina, fortalecimento da educação a distância, melhoria da segurança pública e ampliação da competitividade econômica.

Setenta e quatro anos após a histórica Resolução CONFEA nº 78/1952, o pioneirismo do CONFEA permanece plenamente atual. Mudaram as tecnologias, das redes analógicas às redes 5G, dos enlaces físicos às infraestruturas virtualizadas em nuvem, mas uma verdade permanece inalterada: a infraestrutura de telecomunicações continua sendo, em sua essência, um campo estratégico da engenharia.

Mais uma vez, o CONFEA demonstra que, quando o futuro da conectividade brasileira está em construção, a engenharia continua sendo protagonista.

Autor
Engenheiro Eletricista, Mestre e Doutor em Engenharia Elétrica/Telecomunicações Rogerio Moreira Lima Silva
Diretor de Inovação e Diretor Estadual no Maranhão da ABTELECOM, Especialista da ABEE Nacional e 1º Secretário da ABEE-MA, Embaixador da ABRACOPEL e do Instituto EWRAN, membro do SENGE-MA e do CEM, Diretor de Relações Institucionais da Academia Maranhense de Ciências e professor da Universidade Estadual do Maranhão.

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Mercado de Internet das Coisas é tema de tomada de subsídios da Anatel

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O espaço será aberto para que toda a sociedade opine sobre a elaboração de uma futura regulação. Contribuições podem ser inseridas por meio do Participa Anatel a partir de segunda-feira (8/6) até 30 de julho

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) lançará na próxima segunda-feira (8/6) uma tomada de subsídios sobre o mercado de Internet das Coisas (IoT) e comunicações máquina-a-máquina (M2M). Com o instrumento, a Agência abre espaço para que empresas, técnicos, integrantes da academia e de órgãos públicos e consumidores enviem dados e pontos de vista relacionados com os dois temas.

O objetivo da iniciativa é subsidiar a atuação da Anatel no monitoramento de mercados de atacado relacionados a produtos de conectividade de Internet das Coisas e na resolução de conflitos entre prestadoras de telecomunicações, com foco na preservação e promoção da competição no setor. As contribuições poderão ser inseridas até às 23h59 de 30 de julho no Participa Anatel.

A IoT e as comunicações M2M, que conectam de forma automatizada desde sensores agrícolas e medidores de energia até veículos, estão em forte expansão, somando cerca de 30 milhões de acessos no Brasil, o que representa cerca de 11% do total de acessos de telefonia móvel. Essa representativa e crescente parcela de mercado traz novos desafios concorrenciais para as empresas do setor, o que motivou a Superintendência de Competição a propor um debate aberto.

“À medida que a economia se digitaliza, os mercados de IoT e M2M ganham relevância estratégica para a inovação e a competitividade do país. A Tomada de Subsídios é uma oportunidade para ouvir os diversos agentes do ecossistema e compreender como competição, investimentos e novos modelos de negócio podem contribuir para acelerar o desenvolvimento dessas soluções no Brasil”, afirmou o superintendente de Competição da Anatel, José Borges.

Reflexão
O objetivo é avaliar eventuais falhas nesses mercados, indo além do número de empresas existentes. A tomada de subsídios vai ajudar a avaliar se as condições de acesso a recursos essenciais permitem que novos negócios criem aplicações e explorem nichos específicos. Essa preocupação é importante porque, hoje, a maior parte do valor financeiro do setor está nos serviços, plataformas e aplicativos, e não apenas na conectividade em si.

Esta tomada de subsídios propõe uma reflexão sobre esse cenário. O foco é entender como melhorar a concorrência, a inovação e a divisão de custos para desenvolver o mercado de M2M e Internet das Coisas (IoT) no Brasil. Para orientar o debate, a Anatel preparou perguntas sobre temas técnicos, comerciais e de atacado. A consulta abrange pontos como:

  • O modelo de atuação das empresas no mercado de M2M/IoT;
  • O impacto do grande volume de dispositivos conectados na rede;
  • Os principais investimentos necessários para garantir essa conectividade;
  • As regras ou contratos que dificultam a expansão de novos negócios no país.

A iniciativa reforça o papel da Anatel de mediar conflitos e garantir a concorrência justa no setor. Ao abrir esse espaço de diálogo, a agência permite que toda a sociedade colabore com o futuro das telecomunicações no país.

Entre no Participa Anatel

Fonte: ANATEL

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Anatel torna público o edital da edição de 2026 do Prêmio Mérito Rondon

Iniciativa estimula produção acadêmica e soluções inovadoras para desafios estratégicos das telecomunicações e da transformação digital no Brasil

AAgência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por meio do Centro de Altos Estudos em Comunicações Digitais e Inovações Tecnológicas (Ceadi), torna público o Edital da 3ª Edição do Prêmio Mérito Rondon 2026 – Artigos Acadêmicos e Inovações. A iniciativa visa fortalecer os vínculos da Agência com a comunidade acadêmica, disseminar a cultura da regulação em suas dimensões técnica, econômica e jurídica, além de estimular o desenvolvimento de estudos sobre temas estratégicos para o setor de telecomunicações.

O prêmio integra o programa do Ceadi dedicado à Alta Educação em Regulação de Telecomunicações, reforçando o compromisso de fomentar o debate qualificado sobre o ecossistema digital no Brasil. Para o presidente do Ceadi, conselheiro Alexandre Freire, a iniciativa consolida o papel da Agência como promotora do conhecimento e da inovação regulatória.

“O Prêmio Mérito Rondon reafirma o compromisso da Anatel e do Ceadi com a promoção do conhecimento, da inovação e da cultura regulatória. Nesta terceira edição, buscamos ampliar o diálogo com a academia e incentivar soluções capazes de contribuir para um ecossistema digital mais inclusivo, eficiente e alinhado aos desafios do futuro”, destacou.

Categorias e temáticas
Nesta edição, os participantes poderão submeter trabalhos em duas categorias principais. A primeira é Artigos Acadêmicos, com o objetivo de incentivar a produção científica com foco em qualidade técnica. Os temas propostos são: “Agenda 2030 e comunicações digitais: regulação e governança para participação social e sustentabilidade”; “Governança e regulação da Inteligência Artificial (IA): transparência e gestão de risco em redes e serviços”; e “Radiodifusão pública: expansão de redes e impactos para a democracia”.

A outra categoria é Inovação, que é voltada ao desenvolvimento de soluções para desafios regulatórios ou tecnológicos. O desafio central desta categoria é o “SCM Regular”, focado em inteligência regulatória para combater a prestação irregular de serviços e facilitar a regularização de provedores de internet.

Premiação
Os três melhores trabalhos de cada categoria serão premiados, totalizando seis prêmios em dinheiro, livres de impostos:

1º lugar: R$ 25.000,00 e certificado.
2º lugar: R$ 12.500,00 e certificado.
3º lugar: R$ 7.500,00 e certificado.

Para os vencedores não residentes no Distrito Federal e entorno, a Anatel custeará passagens aéreas e diárias para a participação na cerimônia de premiação, limitada a um representante por trabalho.

Quem pode participar? 
As inscrições são gratuitas e abertas a pessoas físicas brasileiras ou estrangeiras residentes no Brasil, com no mínimo 18 anos. São aceitos trabalhos individuais ou em grupo (coautoria), desde que indicado um representante para a inscrição.

Atenção: É vedada a participação de servidores e colaboradores da Anatel, bem como de membros das comissões organizadora e julgadora e seus parentes de primeiro grau. O uso de ferramentas de IA generativa na elaboração dos trabalhos é permitido apenas mediante declaração expressa e apresentação de termo de responsabilidade.

Inscrições e cronograma
O período para envio das inscrições e submissão dos trabalhos ocorrerá de 25 de junho de 2026 até às 23h59 do dia 10 de agosto de 2026 (horário de Brasília). As inscrições deverão ser realizadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico, que estará disponível na página do Ceadi na internet a partir da abertura do período de submissões.

Principais datas: 

Inscrições: 25/06/2026 a 10/08/2026.
Divulgação do resultado final: 15/10/2026.
Solenidade de premiação: Novembro de 2026.
Publicação dos trabalhos vencedores: Dezembro de 2026.

O edital completo da 3ª Edição do Prêmio Mérito Rondon 2026 pode ser consultado na página oficial da Anatel. Para mais esclarecimentos, os interessados poderão encaminhar dúvidas para o e-mail premiorondon2026@anatel.gov.br.

Fonte: ANATEL

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Leilão da faixa de 700 MHz impulsiona conectividade no Brasil com R$ 2 bilhões em investimentos

O recente leilão da faixa de 700 MHz, conduzido pela Anatel em parceria com o Ministério das Comunicações, marca um avanço significativo na expansão da infraestrutura digital no país. A iniciativa deve gerar cerca de R$ 2 bilhões em investimentos voltados à ampliação da conectividade em áreas remotas e rodovias federais.

Expansão da cobertura e inclusão digital

O principal objetivo do certame é reduzir o déficit de cobertura em regiões ainda desassistidas. Ao todo, 864 localidades remotas passarão a contar com sinal de telefonia móvel 4G ou superior, beneficiando aproximadamente 680 mil pessoas.

Além disso, cerca de 6,5 mil quilômetros de rodovias federais, incluindo a BR-101, terão cobertura de conectividade, ampliando a segurança viária e a eficiência logística em importantes corredores do país.

Competitividade e fortalecimento do setor

O leilão contou com a participação de quatro operadoras: Amazônia Serviços Digitais, Brisanet, Unifique e IEZ!, que arremataram lotes regionais estratégicos. O modelo adotado priorizou investimentos em infraestrutura, reforçando o caráter não arrecadatório da iniciativa e estimulando a competição no setor.

A ampliação do acesso ao espectro, especialmente na faixa de 700 MHz — reconhecida por seu alto alcance e eficiência — permite que operadoras regionais expandam suas redes com maior qualidade e capilaridade.

Impacto estratégico para o futuro da conectividade

A expansão da cobertura móvel em áreas rurais e rodovias representa um passo essencial para o desenvolvimento socioeconômico do país. A conectividade não apenas viabiliza inclusão digital, mas também impulsiona setores como logística, agronegócio, segurança pública e serviços essenciais.

O projeto também reforça o compromisso do governo em dobrar a cobertura móvel em áreas rurais, promovendo acesso equitativo à tecnologia e reduzindo desigualdades regionais.

Um marco para a infraestrutura digital brasileira

A utilização da faixa de 700 MHz é considerada estratégica por sua capacidade de alcançar longas distâncias e oferecer melhor desempenho em ambientes internos — fator decisivo para regiões com baixa densidade populacional.

Para o ecossistema de telecomunicações, essa iniciativa representa mais do que expansão de rede: trata-se da construção de uma base sólida para o futuro digital do Brasil, com maior competitividade, inovação e acesso universal à conectividade.

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Anatel e ITA avançam em projeto de Inteligência Artificial para transformar telecomunicações no Brasil

Workshop apresenta resultados parciais de estudos aplicados à regulação e destaca impactos diretos na qualidade dos serviços, na segurança digital e na experiência do usuário

Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por meio do Centro de Altos Estudos em Comunicações Digitais e Inovações Tecnológicas (Ceadi), realizou, nos dias 30 e 31 de março, o 2º Workshop do projeto de aplicação de Inteligência Artificial (IA) no setor de telecomunicações, em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A iniciativa integra o Termo de Execução Descentralizada (TED) nº 3/2023.

O evento ocorreu na Anatel, em São Paulo (SP), e reuniu especialistas, pesquisadores e servidores da Agência, que tiveram acesso aos resultados parciais dos estudos. O primeiro dia foi aberto ao público, com foco na transparência e na disseminação do conhecimento. Já o segundo foi dedicado ao alinhamento técnico entre as equipes, com definição de metodologias e desenvolvimento de provas de conceito.

Na abertura, o conselheiro da Anatel e presidente do Ceadi, Alexandre Freire, destacou que o projeto representa um avanço na construção de uma regulação mais moderna, baseada em evidências e orientada por dados. Segundo ele, o uso de Inteligência Artificial amplia a capacidade de análise da Agência diante da crescente complexidade das redes e dos serviços digitais.

“A modernização institucional brasileira para enfrentar os desafios do mundo digital é urgente. Não buscamos apenas tecnologia por tecnologia, mas sim ferramentas que permitam à Anatel cumprir sua missão legal de reavaliar periodicamente a regulamentação, promovendo a competição e a adequação à evolução do mercado”, afirmou.

O chefe da Assessoria Técnica da Anatel e secretário do Ceadi, João Marcelo Azevedo Marques Mello da Silva, ressaltou que a parceria com o ITA fortalece a integração entre ciência, tecnologia e regulação, contribuindo para soluções inovadoras com aplicação prática no setor.

Também participaram da abertura a superintendente de Fiscalização, Gesiléa Fonseca Teles; a assessora da Superintendência de Controle de Obrigações (SCO), Cristianne Barros Polo; e o professor do ITA e coordenador do projeto, Renato Machado.

O projeto está estruturado em seis eixos estratégicos, que orientam o desenvolvimento das pesquisas e suas aplicações diretas na atuação regulatória e na vida do cidadão.

No eixo de estimação do Índice de Qualidade dos Serviços (IQS) e classificação de municípios, são utilizadas técnicas de análise de dados e redes neurais para identificar padrões de desempenho dos serviços de telecomunicações. Na prática, isso permite à Anatel compreender melhor as diferenças regionais e direcionar ações mais precisas para melhorar a qualidade onde ela é mais necessária, beneficiando diretamente os usuários com serviços mais estáveis e eficientes.

O eixo de qualidade de serviço (QoS) versus capacidade da infraestrutura analisa a relação entre o volume de tráfego de dados e a estrutura disponível das redes. O objetivo é garantir que a expansão do uso da internet e das telecomunicações seja acompanhada por investimentos adequados, evitando sobrecargas e assegurando uma experiência de navegação mais rápida e confiável para a população.

Na frente de cibersegurança, o projeto aplica Inteligência Artificial e machine learning (aprendizado de máquina) para detectar ameaças em tempo real e antecipar riscos. Isso fortalece a proteção das redes e dos dados dos usuários, contribuindo para um ambiente digital mais seguro, inclusive para pequenos provedores, que passam a contar com ferramentas mais acessíveis de proteção.

O eixo de monitoramento de espectro busca implementar sistemas automatizados para acompanhar o uso das radiofrequências. Com isso, a Agência pode atuar de forma mais preventiva, evitando interferências que prejudicam serviços como telefonia móvel, rádio e internet sem fio, o que se traduz em maior qualidade e continuidade dos serviços para a população.

No monitoramento de marketplaces, a IA é utilizada para identificar anúncios de produtos irregulares ou não homologados, além de práticas enganosas. Esse trabalho reforça a proteção do consumidor, reduzindo riscos na compra de equipamentos de telecomunicações e promovendo um mercado mais justo e seguro.

Por fim, o eixo de análise de redes sociais utiliza dados públicos de plataformas digitais para identificar, em tempo real, falhas e interrupções nos serviços a partir dos relatos dos usuários. Essa abordagem amplia a capacidade de resposta da Anatel, permitindo ações mais rápidas diante de problemas que impactam diretamente o dia a dia da população.

A aplicação da Inteligência Artificial no setor de telecomunicações representa um avanço relevante para a transformação digital do país. Entre os principais impactos estão a melhoria da qualidade dos serviços, o aumento da eficiência regulatória, o fortalecimento da segurança digital e a ampliação da proteção ao consumidor.

Com a parceria, a Anatel reforça seu compromisso com a inovação e com o uso de tecnologias avançadas para aprimorar a regulação, garantindo que o Brasil acompanhe a evolução do setor e ofereça serviços cada vez mais confiáveis, acessíveis e seguros à sociedade.

Fonte: ANATEL